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16/06/2010 / Marcio Kohara

Report – F1’10_08 – Canadá

Havia a expectativa para saber se a Mclaren continuaria sua série positiva depois de ver os seus rivais na disputa pelo título, a Red Bull, entregar-lhe de bandeja a vitória na corrida anterior, em Istambul. E havia a expectativa de como se sairiam as equipes depois de um final de semana conturbado, cheio de desentendimentos entre os pilotos das equipes. O problema para os fãs de Fórmula 1 e futebol é que a abertura da Copa do Mundo de futebol acontecia praticamente ao mesmo tempo que o primeiro treino livre… O confronto entre a anfitriã África do Sul e o México não foi dos mais emocionantes, da mesma forma que são os primeiros treinos livres de um final de semana de GP…

A expectativa para Montreal era de chuva no final de semana. Mostrou-se uma expectativa furada. Apesar de ter chovido na quinta-feira e termos um tempo não muito bonito entre sexta-feira e sábado -com um pouco de pista molhada no começo do último treino livre, na manhã de sábado-, o fato é que o tempo não foi um problema. E, pior ainda, no domingo o tempo foi bom. Para pilotos e torcedores esta foi uma boa notícia.

A Bridgestone escolheu a dupla de compostos mais macia para Montreal. Este foi o alvo de críticas durante todo o final de semana. A escolha se mostrou errada, já que os pneus se desgastavam rapidamente. Havia uma lógica por trás da escolha da fornecedora japonesa e nem eram os informes de chuva. Tradicionalmente, se escolhem os mesmos compostos levados para Mônaco. O problema é que nos últimos anos a pista monegasca passou por um completo recapeamento, enquanto Montreal não. Com um asfalto mais envelhecido, a tendência dele ficar mais abrasivo se confirmou, aumentando o consumo dos pneus.

Os treinos livres foram pouco informativos. Os resultados não davam a impressão de amplo favoritismo da Mclaren, como se supunha nas análises pré-final de semana. Button fechou o primeiro treino no topo da lista e Hamilton fez o mesmo no terceiro. Mas a tal facilidade esperada pelos analistas não foi assim tão grande, tanto que no segundo treino livre seus dois carros ficaram em 7º e 11º lugares. A Red Bull não foi tão excepcional quanto nas etapas anteriores, mas também não impressionou, apesar de ter ponteado o segundo treino livre. Já na classificação, a Mclaren conseguiu quebrar a série de poles da Red Bull, com Lewis Hamilton fazendo a pole. Porém, no limite e com a equipe austríaca inventando -saindo com pneus duros na classificação. Tamanho era o limite que, depois da volta que garantiu a pole, o inglês foi obrigado a desligar o carro depois de três quartos de volta devido ao risco de ficar sem gasolina para a fiscalização da FIA. Mark Webber foi obrigado a trocar sua caixa de câmbio entre a classificação e a corrida e perdeu cinco posições no grid.

A corrida começou como se esperava -cheia de confusões. Logo na primeira curva, Felipe Massa, Vitantonio Liuzzi, Vitaly Petrov e Pedro de la Rosa não passaram incólumes da primeira curva da corrida, sofrendo acidentes e caindo na classificação. Apesar desta confusão toda, não foi necessária a intervenção do Safety Car -como aconteceu em toda a corrida. O retrospecto de boas corridas em Montreal não foi manchado por este detalhe. Pelo contrário. tivemos uma boa corrida na pista canadense, cheia de alternativas e ultrapassagens.

Hamilton começou se aproveitando da melhor situação de seus pneus macios, abrindo boa vantagem sobre Vettel, que mantinha a segunda posição após a largada. Porém, logo os pneus macios perderam rendimento e os pilotos que largaram com eles tiveram que parar antes das dez voltas. Assim, as duas Red Bulls pularam a frente, com Buemi em terceiro e Schumacher em quarto… Claro que não eram as posições reais.

Com a aproximação das Mclarens com os pneus novos, a Red Bull mudou a sua estratégia e antecipou a parada de Vettel e Webber para a 13ª e 12ª voltas, respectivamente. Para comprovar a indefinição da equipe nesta nova situação, Webber repetiu os pneus duros e Vettel colocou os macios. Depois de tudo isso, Sebastien Buemi, da Toro Rosso, se tornou o primeiro piloto que não de Ferrari, Mclaren e Red Bull e liderar uma corrida neste novo regulamento sem reabastecimento. Buemi manteve a liderança por pouco mais de uma volta, até que Alonso e Hamilton (com posições invertidas depois de um vacilo enorme da Mclaren na parada de box) aparecessem na briga pela liderança logo atrás dele. Hamilton se aproveitou da dificuldade de Alonso para passar Buemi e reassumiu a liderança.

A segunda rodada de paradas nos boxes teve poucas mudanças. Hamilton foi para os boxes na volta 26, seguido por Alonso, Vettel e Button. Enquanto isso, o australiano da Red Bull tentava ganhar terreno com os seus pneus duros, já que seria obrigado a fazer a sua parada e colocar os pneus macios antes do final da prova. Até mais ou menos a volta 40 a ideia parecia boa, e Webber ia abrindo vantagem sobre os adversários. Mas depois, com o desgaste excessivo dos pneus, Webbo foi obrigado a reduzir o ritmo, perdendo tempo atrás dos retardatários e permitindo a aproximação de Hamilton. Na volta 49, o campeão de 2008 passou Mark, que resolveu partiu para as suas últimas 20 voltas usando pneus macios.

Hamilton, então, partiu para a vitória, que ficou ainda mais tranquila quando, a 15 voltas do fim, Jenson Button passou Fernando Alonso e fazendo com que a Mclaren ficasse com as duas primeiras posições. Depois da confusão de Istambul, ficou claro que a última coisa que a equipe inglesa gostaria de ver seria uma briga pela liderança entre os seus dois pilotos. Assim sendo, Button reduziu o ritmo e apenas administrou a segunda colocação, comboiando Lewis Hamilton para a vitória.

Acabou? Não exatamente. Fernando Alonso fechou o primeiro pódio desde o GP dos Estados Unidos de 1991 que recebe três pilotos já campeões mundiais. Alonso fez uma ótima corrida, sempre brigando entre os ponteiros. E, comprovando a teoria, na terceira vez em que a Bridgestone levou os tipos mais macios de pneus para a pista, a Ferrari se saiu mais uma vez bem.

No final da prova, Vettel até poderia pensar em partir para cima de Fernando Alonso e ganhar uma posição no pódio. Porém, com um problema no motor, foi obrigado a reduzir o ritmo. Por isso tudo, a decepcção da corrida foi a Red Bull, que ficou apenas com os quarto e quinto lugares -Vettel e Webber, respectivamente. Se não se esperava que as Red Bulls fossem as favoritas à vitória, ficou também claro que se os austríacos não tivessem cometido seus graves erros, não poderiam ter brigado pela vitória. São mais pontos perdidos que vão se acumulando -e que acabam custando um título no final da temporada.

Nico Rosberg também fez uma prova segura e acabou na sexta colocação, à frente de Robert Kubica, da Renault. Foi o suficiente também para que o alemão também superasse o polonês no campeonato de pilotos (74 a 73). Enquanto isso, os seus companheiros de equipe deixaram Montreal com aparições lamentáveis. Michael Schumacher, que mais uma vez sofreu com o desgaste de pneus e acabou apenas na 11ª posição -depois de perder várias posições no final da prova- e Vitaly Petrov, punido duas vezes com Drive-Troughs por queimar a largada e exceder o limite de velocidade nos boxes. Sebastien Buemi, depois de boa prova, fechou na oitava colocação, à frente de Vitantonio Liuzzi e Adrian Sutil, a dupla da Force India, que fechou a zona de pontuação.

Com estes resultados, Lewis Hamilton assume a liderança do campeonato mundial com 109 pontos, três a mais do que seu companheiro de equipe Jenson Button (106). Mark Webber, que saíra de Istambul com a liderança, cai para a terceira posição, com 103. Fernando Alonso, de forma até surpreendente, aparece em quarto, com 94, à frente de Sebastian Vettel, apenas no quinto, com 90. Nico Rosberg, com 74, Robert Kubica, com 73 e Felipe Massa, com 67 formam o pelotão de meio. Bem longe, Michael Schumacher (34) e Adrian Sutil (23) fecham os dez primeiros.

Entre as equipes, a Mclaren abre vantagem na primeira posição. Agora, tem 215 pontos, contra 193 da Red Bull, sua perseguidora mais próxima. A Ferrari tem 161, em terceiro e a Mercedes, com 108, em quarto. Renault (79), Force India (35), Toro Rosso e Williams (8), além da Sauber (1). fecham a zona de pontuação.

A próxima etapa do Mundial será o Grande Prêmio da Europa, disputado nas ruas do porto de Valência no próximo dia 27 de junho.

Publicado originalmente no BestCars

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