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16/06/2010 / Marcio Kohara

Report – Le Mans 2010 – A vitória da zebra

O jogo só acaba quando termina. Futebol? Copa do Mundo? Que nada. O mote também se encaixa com prefeição ao grande clássico mundial do final de semana que foi, certamente, o dia mais longo do ano, como também é chamada a disputa das 24 horas de Le Mans.

O favoritismo na prova era latente, mas não dos carros da fabricante de Ingolstadt. Os 908 TDi da Peugeot eram o chamado “pule de dez” antes da corrida começar -e até mesmo depois da prova começada. Tanto que a Audi, num clima de pessimismo e já se adiantando às novas especificações da ACO -a organizadora da prova-, já apresentou o R18, que deve ser o representante oficial da montadora na próxima edição de Le Mans.

Os 908 oficiais da fabrica francesa sediada em Sochaux confirmavam o favoritismo na classificação, quando fizeram os três melhores tempos da sessão. Para completar a lavada que se anunciava, o quarto colocado no grid de largada para o dia mais longo do ano seria ninguém menos do que o 908 TDi semi-oficial da equipe Oreca. Só depois apareciam os três Audis R15. Se esperava que, depois da vitória acachapante conquistada na última edição e da amostra obtida na sessão de classificação, os carros da Peugeot fossem dominar com folgas mais esta edição de Le Mans. E, sem a expectativa de chuva, como aconteceu em 2008, quando a Audi venceu pela última vez, já com um R10 inferior ao 908 da Peugeot, mas que, sob chuva se houve melhor, a impressão de que os franceses acabariam dominando mais esta edição de Le Mans.

Mas há o velho chavão do automobilismo mundial. Para chegar em primeiro numa corrida, é primeiro preciso chegar ao final da corrida. Este chavão, numa prova de longa duração como é Le Mans, é fundamental. E parece que os franceses se esqueceram deste detalhe. Os Audis vinham num ritmo menos veloz, porém constante. A diferença entre os carros de ambas a marcas chegava a astronomicos quatro segundos por voltas, marca impressionante se considerarmos que são carros do mesmo nível. Porém, a Peugeot sucumbiu a um detalhe que parecia resolvido há muito tempo. Na primeira aparição da Peugeot em Le Mans nesta nova fase (2007), seus três carros falharam na missão de completar a prova, apesar de serem claramente os mais rápidos da categoria. Desde então, porém, este detalhe não pareceu mais incomodar os franceses, que logo dominaram as categorias suporte da corrida francesa. Porém, a falta de confiabilidade voltou a assombrar os franceses. E começou cedo. O 908 que alcançou a pole, com Sebastien Bourdais/Simon Pagenaud/Pedro Lamy, mal começou a terceira hora na pista antes de sucumbir, com problemas na suspensão. Não seria um grande problema se os outros dois carros oficiais e o terceiro semi-oficial Oreca tivessem chegado ao final da prova sem que tivessem maiores problemas. Não foi isso o que aconteceu.

Na oitava hora, ainda na noite de Le Mans, o Peugeot número 1 de Alexander Wurz/Anthony Davidson/Marc Gene, guiado pelo espanhol, foi obrigado a adentrar os boxes com problemas no alternador -e de lá só sair no final da prova, sem nenhuma chance de conquistar a vitória. Já os dois Pugs restantes sucumbiram quando já se podia saborear a vitória, a duas horas do final da corrida. Primeiro o trio oficial gaulês da marca de Sochaux, Franck Montagny/Stephane Sarrazin/Nicolas Minassian. Meia hora depois, o trio da Oreca, com Olivier Panis/Nicolas Lapierre/Loic Duval. Para a dor ser maior, o fato de que ambos pararam pelos mesmos problemas, um estouro do motor diesel, que deixou ambos os pilotos na mão.

Assim, a corrida ficava a carater para que os pilotos da Audi a vencesse. Com o trio formado por Rockenfeller, Dumas e Bernhard assumindo a liderança a poucas voltas do final. Com um carro com velocidade bem inferior ao de seus rivais. Porém, que cumpre a exigência primeira das corridas de automóveis. De que, para vencer, o carro primeiro tem que chegar ao final. E, mesmo não tendo a velocidade inacreditável dos Peugeots, ainda assim bateu o recorde de distância percorrida na categoria -que durava quase 40 anos. A dupla vencedora percorreu as mesmas 397 voltas percorridas por Helmut Marko e Gijs van Lennep com um Porsche 917 em 1971. Mas, como a pista aumentou de comprimento -passou de 13.469 metros para 13.629 metros, trata-se de um recorde de distância percorrida na prova, mesmo com todas as alterações feitas na pista -todas elas visando a redução de velocidade.

O trio formado pelos jovens Treluyer, Lotterer e Fässler terminou a prova na segunda posição, à frente de McNish, Kristensen e Capello, que fecharam o pódio todo prateado da Audi na classificação geral e na classe LMP01, numa das provas da categoria com o menor número de pilotos fechando a prova em muito tempo.

Na categoria LMP02, o carro vencedor foi o Acura HPD ARX-01C da Strakka Racing, com o trio Danny Watts/Jonny Kane/Nick Leventis. O brasileiro Thomas Erdos fez parte do trio que acabou subindo ao pódio, com o Lola B08/80 da equipe RML, junto com Mike Newton e Andy Wallace.

Na LMGT02, os vencedores foram Marc Lieb, Richard Lietz e Wolf Henzler, a bordo do Porsche 997 GT3 da equipe Felbermayr-Proton. O brasileiro Augusto Farfus, com um BMWM3, chegou ao final da prova na sexta posição na categoria, correndo em parceria com os alemães Üwe Alzen e Jörg Müller. Outro brasileiro, Jaime Mello, junto com Gianmaria Bruni e Pierre Kaffer com a Ferrari F430, abandonou ainda pela madrugada de domingo.

Publicado originalmente no BestCars

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