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16/07/2010 / Marcio Kohara

Futuro da Toro Rosso? Assunto não pra já

A Toro Rosso (a popular Ésse-Tê-Erre citada nas transmissões da Globo) anunciou nesta quinta que Sebastian Buemi e Jaime Alguersuari serão mantidos para a próxima temporada. É um anúncio que pôe fim a uma dúvida levantada meio de leve aqui no Col de Turini na semana passada, no post sobre a dança das cadeiras para a próxima temporada. Significa que, pelo menos a curto prazo, nada muda na equipe italiana.

Uma das peças do dominó do futuro da Fórmula 1 é saber o que será da Toro Rosso. Explicando o porque da dúvida. Neste momento a Toro Rosso não tem sido muito mais do que um estorvo pro Dietrich Mateschitz, o dono da Red Bull. Montada como uma sucursal da Red Bull Racing (a Erre-Bê-Erre), a Scuderia Toro Rosso deveria servir como uma equipe de poucos investimentos que serviria para formar novos pilotos para a equipe principal. Foi a estratégia utilizada com sucesso na formação de Sebastian Vettel, por exemplo -que chegou a vencer de forma improvável uma prova pela equipe. Mas que não funcionou tão bem assim para outros pilotos -Scott Speed e Vitantonio Liuzzi.

O grande problema é que, para se tornar uma equipe de baixo custo, a Toro Rosso montou com a Red Bull uma estratégia de reutilização de chassis. A Erre-Bê-Erre usava o chassi titular, projetado com tudo do bom e do melhor (em cima do motor Renault) e a Esse-Tê-Erre usava o chassi remendado, adaptado pra receber motor e câmbio diferentes (da Ferrari, com exigências diferentes). Só que as outras equipes chiaram, e exigiram que a Red Bull parasse de utilizar este expediente -o que foi aceito pelos austríacos nesta temporada.

O projeto do chassi STR-5 desta temporada é uma evolução do chassi STR-4 utilizado no ano passado, que por sua vez era uma versão adaptada do RB-05 da equipe titular. E, para fazer o STR-5, a equipe teve que fazer das tripas coração com o orçamento enxuto da equipe -que não cresceu em nada da última temporada.

Com a perspectiva de aumento de gastos -e a não intenção de aumentar os seus investimentos na equipe nas próximas temporadas, quando a equipe terá que desenvolver um projeto melhor para continuar competitiva-, Mateschitz colcou a equipe a venda. Ainda não apareceram interessados -e, com enquanto durar o interminável processo de entrada de novas equipes na Fórmula 1 por parte da FIA, eles não devem aparecer. Enquanto o mercado estiver em baixa, dificilmente o austríaco -que pode ser acusado de tudo menos de não saber fazer dinheiro [afinal ele fez sua fortuna vendendo um refrigerante misturado com café ruim que dói, não é mesmo?]- irá se desfazer da equipe. Lei da oferta e da procura. Enquanto todos tentam vender o mesmo bem e poucos compram, os preços caem. Quando surge a escassez -ou seja, quando tem mais gente comprando do que vendendo o tal do bem-, os preços sobem. Como bom homem de negócios, o austríaco espera o preço do seu bem subir para se livrar dele…

Com o anúncio de que os dois pilotos estão garantidos para 2011, pelo menos a dúvida com relação ao futuro da Toro Rosso é empurrada um pouco mais para a frente. Pra 2012, talvez. Um refresco numa dança das cadeiras que deve ser mais animada entre os donos de equipes do que entre os pilotos mesmo…

One Comment

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  1. Ron Groo / jul 16 2010 4:27 pm

    Se vier a acabar será uma pena. Uma equipe pequena, sem pretensões demais e de onde pode surgir bons nomes.
    A idéia tinha tudo para ser um celeiro de bons pilotos. Pena que desta arvore até agora só se tenha colhido um fruto.

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