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04/08/2010 / Marcio Kohara

As asas dadas seriam flexíveis?

Muito se fala sobre a velocidade dos carros da Red Bull em curvas. E muito se fala sobre a incontestável genialidade do aerodinamicista Adrian Neway, que projetou o carro da equipe austríaca. Mas agora se sabe um pelo menos um dos motivos para que a equipe austríaca tenha conseguido tamanha superioridade contra as suas adversárias. O RB06 está equipado com uma asa dianteira que, de alguma forma, se flexiona e aumenta a sua eficácia quando submetida a grandes forças, como indicam algumas fotos tiradas em pontos de altas velocidades dos circuitos.

A FIA faz verificações rotineiras da peça, aplicando uma força de 500 Newtons na asa e verificando a flexão que ela sofre. O curso máximo permitido é de um milímetro. Isso significaria uma carga de 50 kgs aplicada sobre a peça. E a asa da Red Bull atende as atuais exigências da entidade, sendo aprovadas em todos os testes. Vendo isso, a Ferrari não perdeu tempo e também desenvolveu a sua versão da peça, o que justificaria a recente evolução dos carros vermelhos no campeonato.

Porém, Mclaren e Mercedes, descontentes com tal fato, resolveram abrir o berreiro. E iniciaram uma campanha para que a FIA aumentasse o rigor em suas verificações. Os integrantes das duas equipes prateadas argumentam que as peças são submetidas a forças maiores do que de 50 kgs, sendo o teste de verificação da entidade máxima do automobilismo um tanto leniente demais com a referida peça. É verdade. Estima-se que uma asa como a da Red Bull sofra forças superiores a 2000 Newtons (200 kgs) em velocidade máxima. E, sob esta pressão, a peça referida flexionaria cerca de 24 milímetros, segundo estimativas de engenheiros de equipes rivais. Assim, estas peças estariam ficando mais baixas do que o permitido no momento em que mais precisam ganhar eficácia, durante as curvas, sem comprometer o desempenho em reta.

Para tentar acabar com tal polêmica, a imprensa inglesa tem a expectativa de que a FIA irá aumentar o rigor das verificações a partir do GP da Bélgica, próxima etapa do Campeonato Mundial. Agora, a inspeção utilizará uma carga básica de 100 kg (1000 Newtons) e verificará se a peça não enverga mais de 20 mm. O aumento linear, explicaram os técnicos da FIA, servirá para verificar se a flexão da asa não seria causada por algum material “inteligente”, que suporta a carga anterior mas, conforme o aumento da carga, ela permitiria alguma flexão maior da peça. Outro item que fará parte das investigações dos fiscais devem ser a junção do bico com a asa dianteira, que estaria sendo motivo de pesquisa das equipes para se tentar ganhar algumas frações de segundo se esta peça também tiver a mesma tendência de flexão que teriam as asas.

Acaba sendo uma boa notícia para Mclaren e Mercedes, que mostram força nos bastidores, já que as duas últimas inovações polêmicas criadas por elas -o F-Duct da Mclaren no começo desta temporada e o difusor duplo, criado pela Brawn, antecessora da Mercedes, na temporada passada- foram aprovadas pela FIA. A má notícia para ambas é que, segundo o site da FOM, os tais testes já teriam sido feitos nos carros da Red Bull em Hungaroring e teria recebido sinal verde dos comissários.

*: PS. Sim, acredite. O título do texto é uma tirada mal feita do slogan da bebida energética (“Te dá asas”).

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