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07/10/2010 / Marcio Kohara

Lotus vs. Lotus

A Lotus tem ganho as manchetes dos informativos especializados em Fórmula 1 nos últimos dias. Não é para menos, afinal, nenhuma equipe conseguiu anunciar tantas mudanças em tão pouco tempo.

Primeiro apareceu Tony Fernandes, o malaio chefe da equipe de Fórmula 1, que anunciou que fechou acordo com os proprietários do nome “Team Lotus” e declarou que será este o nome oficial da equipe para o próximo ano. Vale lembrar que o “Team Lotus” não é de propriedade da Lotus Cars/Lotus Group -que faz parte do portfólio de marcas da malaia Proton depois de passar pelas mãos de GM e Bugatti-, mas sim de um grupo de investidores chefiado pela Litespeed e por David Hunt -irmão de James, campeão de 1976. Porém, para este ano, o negócio não deu certo e a 1.Malaysia Racing pegou o nome Lotus emprestado da marca de carros.

A marca de carros não gostou da notícia e levou para o lado pessoal. Disse que a licença pelo uso da marca estava terminada e ia brigar nos tribunais para que a equipe de Fórmula 1 não usasse o novo nome e ‘cometesse danos à sua marca’ -mas, numa oportunidade anterior, a Proton tentou levar os direitos da marca ‘Team Lotus’ na mão grande e não conseguiu, o que significa que a briga deve ser meio inglória. A Proton até teria tentado comprar os direitos do “Team Lotus” de Hunt no passado, mas por algum motivo o acordo não saiu -parece que os malaios ofereceram pouco pela marca.

Por outro lado, rumores indicam que a Lotus Cars também está tentando aumentar o seu valor de mercado. Segundo estes rumores, a Proton estaria ouvindo propostas pela marca de carros esportivos e não se incomodaria se o valor dela crescesse. Uma forma de aumentar o valor do ‘passe’ seria ampliar a gama de produtos e tentar aumentar a repercussão de sua marca. Por isso o interesse em ampliar a gama de inserções da sua marca pelas diversas categorias do automobilismo do mundo, como na Indy, na associação com a ART (de GP2 e GP3) e os planos futuros de entrada na GT1. Os acordos de cooperação com a ART, por exemplo (o Team Air Asia seria do guarda-chuva da equipe de F-1), indicariam que a Lotus Cars apoiaria a entrada da equipe do filho de Jean Todt na principal categoria em temporadas próximas.

Outra forma de fazer isso seria mudando o seu público-alvo, deixando o seu tradicional nicho de mercado voltado a esportivos compactos (os famosos pocket-rockets), mais baratos, e tentando fazer frente a fabricantes tradicionais de esportivos mais requintados, como a Porsche e a Ferrari, por exemplo. A Lotus Cars apresentou cinco modelos no Salão de Paris (são eles o substituto do Elise e os novos Elite, Espirit, Exige e Eterne). A apresentação que mais chamou a atenção foi a do Elite. O carro é bonito, tem um jeitão de Lamborghini Murciélago, mas não foi por isso que a apresentação ganhou as manchetes. Segundo a Lotus Cars, o Elite foi inspirado no Lotus 79 campeão mundial com Mario Andretti em 1978, numa citação um tanto gratuita do último Lotus campeão mundial. Um carro esportivo inspirado num Fórmula 1 de 32 anos atrás? Tá bom…

A Lotus vem fazendo o melhor trabalho entre as novatas neste ano. Numa prova que Mike Gascoyne tem influência e algumas boas ideias, o projetista renovou contrato com a equipe até 2015. E o inglês já colocou alguns planos de longo prazo em prática. A Lotus anunciou que rescindiu o contrato com a Cosworth, fornecedora com quem tinha contrato até 2012 e fica livre para escolher os seus propulsores para o próximo ano. A nova fornecedora escolhida deve ser a Renault. Para corroborar esta tese, foi anunciado também o acordo de fornecimento de caixas de câmbio e sistemas hidráulicos com a Red Bull, em moldes parecidos com o acordo entre Force India e Mclaren amarrado por Gascoyne quando o inglês era o projetista da equipe indiana. Parece ser uma boa alternativa, num momento em que a Lotus pretende dar o passo seguinte -e evitar que este passo seguinte seja o que será dado pela Hispania, indo para o buraco…  Outro anúncio, este numa seara menos técnica, foi o do acordo da Lotus com a empresa de consultoria de marketing CAA (Creative Artists Agency), que foi contratada para redesenhar a comunicação e o marketing da equipe inglesa.

Enfim, é isso. Fica a torcida para que a equipe -que conta com o apoio do Col desde o começo- se acerte. Se possível, com todos remando pro mesmo lado.

2 Comentários

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  1. Speeder_76 / out 7 2010 8:13 pm

    É… há um ano, ninguém falava da Lotus. E de repente, eles são falados por tudo e por nada. Quem diria!

    Quanto ao assunto Lotus vs Lotus, aparentemente é uma questão politica, que pode estar resolvida dentro em breve. Como dizes, a Proton pode estar a pensar em livrar-se da Lotus, e um dos compradores pode ser o Tony Fernandes. E ele pediu ajuda ao ex-primeiro ministro da Malásia, o mesmo que lhe vendeu a Air Asia por um ringgit, para resolver a situação. Portanto, até lá… ainda pode ser que acabe como a Aston Martin, que hoje em dia pertence à Prodrive, do David Richards.

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