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15/11/2010 / Marcio Kohara

Marussia e o modus operandi Virgin

Bom, falamos da Lotus e da Hispania semana passada. Faltou a Virgin, não é? É. Faltou. Bom, sobre a equipe de sir Richard Branson, não parece haver muitas novidades. Até mesmo a compra de um naco da equipe por parte da fabricante russa de supercarros Marussia não é assim uma novidade tão absurda e surpreendente.

É importante? Claro que sim. Mostra que Richard Branson, sozinho, não está muito a fim de gastar a grana que o tio Bernie quer que ele gaste. Os novos donos de equipes tem o perfil de investir fortemente para conseguir algum lucro -se é que vão conseguir. Sir Richard, por seu lado, dá uma lição de gestão de negócios para aqueles que pretendem ficar milionários mas não conseguem acertar as seis dezenas da loteria: todo negócio começa pequeno e vai recebendo aportes se fizer por merecer. Todos imaginaram que a Virgin preferiria começar como uma big player, partindo da parceria armada com a Brawn na temporada passada. Mas Branson preferiu começar do jeito que começou a maioria dos seus negócios. Começar pequeno e crescer, sem gastar muito. Deixou Bernie p* da vida.

Um parentese curioso. Lembra que Bernie Ecclestone espinafrou Virgin e Hispania há duas semanas atrás? Pois é. O Joe Saward explicou que há uma questão financeira nisso. Como todos sabem há a premiação para as dez melhores equipes do campeonato. Nove equipes fazem parte da premiação normal do Pacto de Concórdia, chamadas de ‘coluna 2’. A décima colocada também vira ‘coluna 2’ no ano que vem. Salvo uma enorme surpresa neste final de semana, deve ser a Lotus por ter alcançado melhores resultados -o 12º de Heikki Kovalainen em Suzuka é o resultado que vai valendo a posição para os malaios. As exceções são Hispania e Virgin, que se continuariam se encaixando na remuneração oferecidas para as equipes novatas -chamada de ‘coluna 3’, que neste ano dividem um bolo de US$ 30mi se continuarem correndo. O questão é que, se uma das duas sai fora, quem leva a grana é a cart…er… é o tio Bernie e sua FOM.

Claro que a entrada mais forte da Marussia -que já é patrocinadora da equipe -muda a relação de forças na Virgin. Entrando com o vil metal -experiências anteriores me deixam com o pé atrás-, a equipe teria mais dinheiro para desenvolver o carro, mas também ficaria mais ‘afeita’ a entrada de um piloto nascido em território da Mãe Rússia. Sobre a Marussia, é uma fabricante novata, sem história no mundo do automobilismo. Aquele que responde como proprietário da equipe é Nikolai Fomarenko, que um dia foi piloto (correu as 24 Horas de Le Mans), ator e chegou a apresentar a versão russa do programa Top Gear. Claro que o surgimento repentino da fabricante gera dúvidas com relação ao financiamento da empresa, que se suspeita ligada à máfia. Mas isso é um papo que não nos cabe julgar. Aqui do lado a gente mostra um dos carros produzidos pela empresa. O valor da belezinha? 100 mil euros.

Sobre as mudanças que esta mudanças pode trazer… Falemos sobre dupla de pilotos. Vitaly Petrov, caso seja mesmo desalojado de sua atual posição na Renault/Lada, seria o favorito à vaga, mas não seria surpresa a contratação de um Mikhail Aleshin, piloto que tem algum destaque em categorias menores -no caso, correu a World Series nesta temporada. Por outro lado, perde um pouco de força a turma da Manor, que vinha mandando na equipe. Claro, não muda tudo -nem a razão social, que segue tendo a Virgin como sócia da equipe e no nome. Timo Glock está confirmado para 2011. A surpresa seria Lucas di Grassi, que, se seu desempenho não decepciona, não faz a equipe abrir sorrisos, manter o seu posto na equipe anglo-rússa. O paulistano vai ter que arranjar algum dinheiro com patrocínio -o que, historicamente, não é algo que o paulistano consiga com facilidade.

Com relação a desempenho, não deve mudar muito o andar da carruagem virginiana. Como Branson segue tentando subverter a ordem sistêmica, vai tentar desenvolver as novas tecnologias. Obviamente, é um caminho muito mais difícil do que o traçado por todas as outras equipes, que já tem todo o sistema de trabalho desenhado. Um exemplo é a forma como projetou o carro deste ano, apenas com super-computadores, sem o uso de túneis de vento, pelas mãos de Nick Wirth -que um dia foi dono e projetista da Simtek. Claro, há investimento em mais computadores, o que é muito bom para ajudar no desenvolvimento do projeto. Da mesma forma com a caixa de câmbio, que segue apostando nas caixas de câmbio Xtrac, que não foram bem neste ano -diferente de todas as outras novatas, que partiram para outras fornecedoras (Lotus com a Red Bull, Hispania com Williams). Enfim, é um caminho mais complicado. Mas segue a filosofia da Virgin de ‘desenvolver’ novas tecnologias. Se vai dar certo? Pode ser que dê. Tem gente que aposta. Timo Glock, por exemplo, aposta a sua carreira nisso.

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2 Comentários

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  1. Leonardo Frota / nov 15 2010 10:33 pm

    Muito boas as matérias!!! Ótima fonte de conhecimento e novidades do mundo do automobilismo, passei a ler o Col diariamente! Parabéns, continue sempre assim!!!

    • mkohara / nov 17 2010 1:17 pm

      Opa. Valeu, Leonardo. Obrigado. Apareça sempre e sinta-se à vontade para comentar -e criticar- o Col.

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