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20/11/2010 / Marcio Kohara

Muita farofa, pouco resultado

O futuro

Sobre os testes da Fórmula 1 em Abu Dhabi, pode-se afirmar com toda a certeza que já tem gente pensando nas prestações que trarão o peru de Natal para a ceia, já que esta foi a última atividade de pista do ano para as equipes. Agora, outro papo é sobre os resultados de pista depois dos dois dias de testes com os novos pneus da Pirelli. Penso que muita gente discute o sexo dos anjos ao cravar qualquer coisa sobre o que aconteceu dentro da pista. Coisas da bacia d´água, runs (runas, sei lá), búzios ou coisa que o valha para prever o futuro de forma ‘confiável’, da mesma forma que se faz a amarração (e desamarração) do amor. Isso, você encontra nos melhores postes do ramo, nos anúncios que estes profissionais penduram na iluminação/sinalização pública. Na Fórmula 1 é um pouco mais complicado.

Afinal, se já é bem difícil afirmar qualquer coisa levando em conta a tabela de classificação de um treino livre de final de semana de GP, imagine num teste em que as equipes rodam das 9h às 17h, com todas as variantes de temperatura e pressão que envolvem todo este período? Ainda mais se considerarmos que os carros não estão sujeitos à verificação da FIA (para análise de especificações regulamentares) e as equipes rodaram para coletar dados para ver qualé a da Pirelli, se os pneus são muito diferentes dos Bridgestone e tudo o mais (na teoria não, porque são da mesma cor -pretos-, e tem dimensões semelhantes. Mas na prática a marca pintada de amarelo pode traser mais diferenças do que nossos olhos permitem observar).

E, claro, ano que vem mudam detalhes importantes na construção de um carro, como a fixação da distribuição de peso dos carros (que ficará em 45% frontal e 55% traseiro), a volta triunfante dos carros chocantes (digo, do KERS), a aparição misteriosa das asas traseiras móveis e a saída de cena dos dutos de ar -os F-Ducts- e dos difusores duplos. Tudo isso muda radicalmente a construção dos carros. Ou seja, é praticamente impossível cravar qualquer coisa para o futuro usando como base os resultados destes dois dias.

Claro, tem o outro porém, que é gente que já pode estar um passo à frente da concorrência por ter configurações que trabalham melhor com os pneus italianos -suspensão, ‘trem de força’ e eletrônica. Mas isso pode mudar com o balanço das horas -e dos projetos. Mas, ainda assim, isso a afirmar e confirmar qualquer coisa… É uma distância tão grande quanto daqui até Nova Dehli (índia).

Ainda assim, num esforço de reportagem -e trambicagem- queimaremos alguns bytes comentando os treinos deste final de semana, insistindo no erro. Enfim, parece que, mais do que a Ferrari se dar melhor com os pneus da fabricante italiana, parece que as Red Bull não se deram tão bem -ou, pelo menos, Sebastian Vettel não se deu bem. Vettel sofreu, nos dois dias de testes, problemas com pneus estourados. Acontecer uma vez este tipo de problema pode até ser alguma sujeira na pista. Na segunda deixa de ser considerada uma coincidência para ser, na pior das hipóteses, fruto de estudos do piloto, da equipe ou até mesmo da própria Pirelli.

A fábrica italiana não parece muito preocupada com estas falhas no carro de Vettel. Diz que foram causadas por detritos na pista e, além do mais, a Fórmula 1 não está procurando pedaços de madeira que durem mais de 99% da distância de um Grande Prêmio -o que parece correto. Mas que, de toda a forma, ouvirá as impressões dos pilotos para seguir o desenvolvimento dos pneus. Certamente a Red Bull fará algumas considerações sobre a construção dos pneus.

Outro detalhe que transparece na tabela de resultados foi ver que Michael Schumacher e Felipe Massa, que tem características parecidas de pilotagem, conseguiram bons resultados nestes dias de testes. Isso pode significar que a característica de pilotagem de ambos ‘encaixa’ melhor com as características dos pneus, o que definitivamente não aconteceu com os pneus dianteiros mais estreitos que a Bridgestone construiu para esta temporada. Pode ser uma boa notícia para Jenson Button, também, que foi outro piloto a sofrer com a dirigibilidade dos carros com estes pneus. Agora, claro, a Pirelli pode resolver mudar os pneus de forma a complicar a vida destes pilotos -ou não (citando @oclebermachado).

Os calendários

O que não transparece na tabela de tempos é que talvez não fosse mesmo importante levar de volta os pilotos titulares para Abu Dhabi uma semana depois do fim da temporada, numa viagem longa para fazer um trabalho desimportante. Mas isso não justifica a arrogância da Mclaren, que dispensou os seus pilotos titulares dos testes, colocando Oliver Turvey e Gary Paffet para trabalhar. Jenson Button se mostrou interessado em conhecer os pneus italianos, mas a equipe inglesa, sabendo do interesse de Button de trabalhar no fim de semana, o direcionou para um evento de mídia da Vodafone. Claro que os carros vão mudar bastante e é bem provável que o teste de hoje não sirva para muita coisa. Mas é sempre bom aproveitar estas oportunidades de entrar em pista. Ainda mais se considerar que que a dupla inglesa só terá chance de conhecer os pneus italianos será apenas em fevereiro. Pode não ter diferença, mas no fim das contas, numa Fórmula 1 com pouquíssimas chances de se entrar em pista e comprovar teorias na prática sem que valham muita coisa -num final de semana de Grande Prêmio-, pode fazer diferença.

Sobre a próxima oportunidade que as equipes entrarão na pista? Todos aguardam ansiosos olhando em seus calendários o dia 1º de fevereiro, quando a Fórmula 1 volta a se reunir, no circuito Ricardo Tormo, em Valência. Calendário Pirelli, evidentemente.

(detalhe sórdido da sessão? Michael Schumacher cortou uma chicane de forma deliberada e seu melhor tempo do dia foi anulado.)

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