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08/12/2010 / Marcio Kohara

Duas notícias e um bastardo no meio

Duas notícias movimentaram o noticiário da Fórmula 1 nos últimos dois dias e elas estão interligadas, de certa forma, por um personagem. Primeiro, Mark Webber admitiu, em seu livro de memórias que lançou na última semana -‘Mark Webber Up Front, A Season To Remember’ [Mark Webber Na Frente, Uma Temporada para Lembrar]-, que correu as últimas provas com o ombro fraturado e guardou segredo até mesmo da equipe. Segundo, Nelson Piquet e família receberem o pedido formal de desculpas e uma indenização não divulgada da Renault por causa do famigerado escândalo da batida de Cingapura, o ‘Crashgate’.

Quanto a Webber admitir que caiu da bicicleta no domingo anterior ao GP do Japão e dar azar de quebrar o ombro… Acidentes acontecem. Pode-se dizer que ‘Deus não dá asas a cobra’, fazendo crer que Webber não tem lá tanto talento para se tornar um dos campeões mundiais. É uma pequena maldade, mas Webber pode dizer em sua defesa que não é o único a ter sofrido com isso. Por exemplo, Sebastien Loeb sofreu uma fratura no braço num passeio de bicicleta enquanto ainda disputava o título do WRC de 2006 -e mesmo assim foi campeão. Mesmo na Fórmula 1 é algo que acontece. Nick Heidfeld caiu enquanto andava de bicicleta e acabou perdendo metade da temporada quando defendia a Williams em 2005 e o próprio Webber quase morreu ao ser atropelado enquanto disputava um triatlo na Tasmânia há dois anos -que fora a última ocasião que ele havia andado de bicicleta antes deste acidente.

Admitir este fato depois de tanto tempo, ainda mais depois de ninguém perceber alguma diferença no desempenho dele nos GPs anteriores, como o de Cingapura [o último antes do acidente] e os subsequentes, ou mesmo não ter parecer ter problemas quando subiu ao pódio no GP do Japão, fica com cheiro de desculpa para justificar o injustificável -ou, pelo menos, jogar um pouco de sombra sobre o que pareceu uma amarelada do australiano.

O que causa estranheza neste imbróglio todo é a atitude do australiano de guardar segredo da própria equipe do acontecido. Apenas três pessoas ficaram sabendo deste infortúnio: ele, o amigo com quem fazia o passeio e o médico da FIA que lhe deu injeções de cortisona para ajudar a suportar a dor. Ok, o australiano tinha lá a sua dose de razão ao imaginar -e afirmar- que a sua equipe tinha escolhido o seu favorito, que não era ele, mas seu companheiro de equipe. Mas, por outro lado, não teria porque esconder um ferimento relativamente grave para a equipe. A não ser que, apesar de quase todas as ações da sua equipe indicarem o contrário, Webber tivesse certeza que a direção da equipe agiria como certamente agiria o seu empresário, o que nos leva à outra noticia.

A Renault anunciou que fechou um acordo com a família Piquet, ainda com relação ao ‘Crashgate’, o escândalo provocado pela batida deliberada de Nelson Piquet no GP de Cingapura de 2008, que fez com que a estratégia de Fernando Alonso funcionasse e o levasse à vitória. O acordo de indenização por calúnia e difamação e o pedido de desculpas formal indicam que a fábrica francesa admite a culpa no caso e o acordo significa o fim das animosidades entre as partes. Há, ainda, uma pendenga judicial envolvendo os Piquets e o famigerado Flavio Briatore, sem solução até o momento.

A pergunta de alguns milhões de dólares é a levantada por Mike Vlcek em seu Formula UK. E Briatore? Ninguém vai pegar o sujeito que arquitetou toda a palhaçada de Cingapura? A Renault não processou o seu ex-funcionário, que levou a equipe oficial da centenária fabricante francesa a uma situação sem precedentes numa categoria, certamente porque tem rabo preso com o italiano. Ok, mas o que Briatore leva de toda a confusão por ele armada é uma pseudo-suspensão que perdura até 2012 -‘pseudo’ porque segue empresariando pilotos como Fernando Alonso e Mark Webber, apesar das definições em contrário. E, a partir disso, não são poucos os rumores que indicam que a volta de Briatore seria triunfal, assumindo algum cargo importante na Ferrari, por exemplo. Seria a certeza que a categoria segue a máxima cunhada pelo ex-vice presidente vascaíno Eurico Miranda (outro daqueles que merecem ser relegados ao esquecimento), que ética é coisa apenas para filósofos…

Fotos: xpb.cc/motorsport.com

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