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09/12/2010 / Marcio Kohara

Lotus vs. Lotus – Capítulo III – As duas Lotus Renault

Não é que a novela acabou. Pelo contrário. Mas esta é uma novela da vida real. Os capítulos vão acontecendo nos bastidores e gente não fica sabendo. Mas o fato é que até mesmo as novelas precisam de alguns meses enrolando para que o mocinho se saia bem e o vilão se dê mal de alguma forma. Até que a gente chegue lá, temos muito choro dos mocinhos e muitas risadas malígnas dos vilões.

O fato é que algumas das teorias mais absurdas levantadas no último capítulo publicado em nossa saga foram confirmadas nesta quarta-feira. A atual Lotus Racing de Tony Fernandes concretizou a mudança de nome e agora se chama oficialmente Team Lotus -enquanto a Lotus Racing, surgida graças a licença concedida pelo Lotus Group no ano passado, virou pó. Ano que vem a equipe de Fernandes será conhecida como Team Lotus Renault. Guarde este nome…

Por outro lado, a Lotus Group de Danny Bahar e da Proton também trouxe novidades. Afinal, confirmou a associação há muito indicada com a equipe de Gerard Lopez. E, com o intuito de promover a equipe Lotus, fará com que esta marca vire naming-sponsor (algo como patrocinadora batizadora) da equipe Renault -que segue no nome da equipe para mostrar para o tio Bernie que as moscas mudam mas a merd…er… o patrocinador muda, mas a equipe segue sendo a mesma e merece ganhar os milhões de doletas referentes a premiação do ano passado. Sabe como é né? Se o ‘home’ ganha dinheiro até na hora que toma um pau, imagine se não vai fazer o possível e o impossível para não dar um prêmio para uma equipe desastrada que resolveu se embananar com os nomes. A BMWSauber que correu neste ano sem o apoio dos bávaros que o diga. Assim, a equipe deve ser chamada, oficialmente de, veja só, Lotus Renault GP.

Também houve a confirmação da venda do restante das ações que o grupo Renault ainda detinha na equipe de Fórmula 1 para o Genii Capital -e tudo indica que o Lotus Group/Proton também deve comprar um naco da equipe. Claro que a Renault poderia tentar mudar a razão social já para a temporada 2011. Porém, teria que ter apoio unânime de todos os donos de equipe -e um deles seria Tony Fernandes, que não se imagina facilitando as coisas para a Lotus de Dany Bahar. Assim, a solução de colocar a marca Lotus como naming sponsor neste primeiro momento, tomando o nome da equipe a partir de 2012, quando o Genii Capital perde o direito de usar o nome Renault para batizar a sua equipe de Fórmula 1, seria perfeita para a equipe.

Enfim, o fato é que, com o anuncio feito nesta manhã, podemos deduzir que a Lotus-Renault GP deve adentrar as pistas na próxima temporada e deve dividir o grid com o Team Lotus Renault. Confuso? Isso não é nada. Espere até ver que as duas Lotus resolveram reviver os últimos tempos áureos da equipe de Norfolk e resolveram se pintar usando a paleta de cores dos cigarros John Player Special, usando as cores preta e dourada para identificar os seus carros. Imagino que o pessoal do marketing da Imperial Tobacco (dona da marca de cigarros) deve estar sorrindo de orelha-a-orelha agora com esta propaganda subliminar gratuita…

Enfim, Danny Bahar não é um sujeito do qual eu compraria um carro usado ou qualquer coisa do gênero -se bem que ele não seria o único na categoria. Mas ele já ter declarado que não gosta de carros e tratar o caso com desdém é algo que conta muitos pontos contra ele. Até o momento, tudo o que tem feito na direção da empresa é tentar descaracterizar a filosofia Lotus de construção de carros deixada por Colin Chapman -carros leves e pouco potentes andam tão bem quanto carros pesados e ultra potentes, com a vantagem de gastar menos combustível. Além disso, também tem despejado um caminhão de dinheiro -que sabe Deus de onde vem- numa política maluca de expansão da marca colocando a marca nas mais diversas competições -GP2 e GP2 junto com a ART, a IndyCar patrocinando a KV e devendo entrar como fornecedora de motores e kits aerodinamicos em 2012, nos campeonatos de GT com seus novos carros e agora na Fórmula 1. Por outro lado, faz de tudo para tentar associar a marca que dirige ao legado de uma equipe cujo proprietário da marca não é ele, tentando confundir a todos com este tipo de estratégia grosseira ao invés de negociar a compra da marca com quem de direito -David Hunt e a família de Colin Chapman.

O que acontece em Norfolk, na sede do Team Lotus, quando Mike Gascoigne e Tony Fernandes se reúnem? Não sabemos, mas há fortes indícios que, além de projetar o futuro da equipe, seja como Lotus ou qualquer outra razão social, os dois devem maldizer com todas as forças o dia em que resolveram se aproximar da Renault para se tornar a fornecedora de motores da equipe. Não fosse esta associação com a marca do losango e a situação não teria chegado a este nível. Ou será que teríamos uma Lotus Renault e uma Lotus… digamos… Ferrari no grid?

Claro, essa novela não tem aqui o seu desfecho. Certamente, tio Bernie, depois de tratar bem o seu olho roxo, irá tomar atitudes para acabar com a festa das duas partes. Ainda parece mais próxima a capitulação do lado de Tony Fernandes, com o uso de um outro nome do que a do outro lado. É uma pena que seja assim, mas o dinheiro e o poder político mandam mais. E apoio da Proton (estatal malaia) a Danny Bahar é o que parece não faltar neste momento…

One Comment

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  1. Speeder_76 / dez 9 2010 8:31 pm

    Começo a achar que ele devemos encarar o homem como um caso clinico. Mete-se em tanta coisa que pergunto a mim mesmo se ele assaltou o Forte Knox ou tem uma máquina de impressão de dólares em casa…

    Eu tenho todos os motivos e mais alguns para apoiar o Tony Fernandes. Por ser um tipo sério, por ter provas dadas no mundo dos negócios, por ter começado tudo do zero, com 55 milhões de dólares, por ter conquistado a simpatia de todos, etc, etc, etc. Quanto ao Bahar, para não dizer pior, acho que ele não é mais do que um paraquedista que aproveita o “acordar” de um nome mitico para ficar com os louros, passando por cima de leis e acordos do passado, como se fosse um mafioso déspota. Tenho pena dos malaios terem acreditado na conversa megalomana dele, mas enfim, cada um faz a cama no qual se deita.

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