Pular para o conteúdo
20/02/2011 / Marcio Kohara

Pilotos reservas. Para que servem?

Com a proibição dos testes dentro da temporada  -e limitação deles na pré-temporada-, ficou bem mais difícil para um piloto entrar na pista e ter a possibilidade real de pilotar um Fórmula 1. Se ficou difícil para os pilotos titulares, imagine para os pilotos reservas. Então, para que servem, hoje, os pilotos reservas? Para, eventualmente, substituir um piloto? O caso da saída de Robert Kubica da Renault neste começo de ano mostra que não necessariamente servem para isso. Por falta de um piloto reserva, a Renault tem cinco sob contrato. E o escolhido foi… Nick Heidfeld, que não constava do rol de pilotos reservas da equipe.

Os reservas servem, hoje, para ajudar na composição de orçamentos das equipes, pagando para testar ocasionalmente. Reservas como Ricardo Teixeira (português que corre com bandeira angolana) faz isso de forma bem escancarada, mas não é o único. Mas ajudar na captação de patrocínios, convenhamos, até os titulares fazem -que o digam Pastor Maldonado, Sergio Perez e Jerome D´Ambrosio. E para os pilotos? Do que adianta fazer parte da equipe se, durante a temporada, você simplesmente não entra na pista? Vale pela emoção de mostrar o crachá de piloto?

Enfim. Já houve um tempo em que a formação de novos pilotos foi mais fácil. Entre 2004 e 2006, as equipes que ficavam abaixo da quinta posição no Mundial de Construtores tinham a possibilidade de colocar três carros nos treinos livres de sexta-feira. E este período foi bem útil para que novos pilotos ganhassem quilometragem e se habilitassem para assumir uma vaga quando precisassem. Sebastian Vettel, Robert Kubica, Timo Glock, Vitantonio Liuzzi e, para não dizer que não falei das flores, Anthony Davidson, Scott Speed, Ricardo Zonta… Todos estes pilotos tiveram experiências nos carros de corrida em finais de semana, aprendendo como funciona os carros e as equipes. Hoje, nada disso acontece, com os pilotos apenas vendo do lado de fora da pista.

O fato é que o fim destes testes dificultou muito a posição desta ‘categoria’ de trabalhadores, afinal, a extrema limitação dos testes durante a temporada praticamente deixa os pilotos -até mesmo os titulares- sem atividades em pista durante a temporada. A situação é tão complicada que os pilotos procuram alternativas para se manter em forma. Robert Kubica, por exemplo, disse que o rali tinha esta serventia para ele.

Hoje não existe esta fase de preparação -importantíssima para o desenvolvimento do piloto. Os pilotos praticamente conhecem os carros da categoria dentro da competição, seja em treinos oficiais ou em corridas. Saem da geladeira e caem da frigideira, quase sem nenhuma preparação na prática. No máximo, preparações teoricas em simuladores, o que não é a mesma coisa. Assim, a geração de pilotos como Nico Hulkenberg, Jaime Alguersuari, Romain Grosjean, Kamui Kobayashi, Bruno Senna, Lucas di Grassi, Paul di Resta começa a sua vida na categoria alguns degraus abaixo dos que estreavam os seus pares de poucos anos atrás.

Bem longe da situação de Luca Badoer, por exemplo, que teve mais de 130 mil kms rodados em um Fórmula 1 em sua solitária carreira de piloto de testes. E também distante da geração que surgiu pouco depois da liberação, com Heikki Kovalainen, Nelson Piquet, Lewis Hamilton, que não teve a chance de pilotar os carros de forma ilimitadas, antes da Fórmula 1 baixar a extrema limitação de testes na categoria.

Claro que as equipes podem falar que os terceiros pilotos podem assumir o cockpit dos titulares nos treinos livres. O problema é que, perdendo tempo de pista, os titulares acabam prejudicados, o que significa que, a não ser que seja em troca de uma monta muito atraente de dinheiro, não interessa para as equipes colocarem novatos na pista -e, mesmo que interesse, eles não serão acionados sempre, não dando para os pilotos a continuidade também necessária para que o trabalho seja bem executado. Também não é exatamente a coisa mais prática para as equipes, no meio de um final de semana repleto de trabalho, onde se deseja o melhor acerto possível, ter de fazer todos os acertos para a troca dos dois pilotos.

Ou seja, vivemos tempos difíceis na formação de mão de obra especializada na Fórmula 1. E por tudo isso que pilotos como Nick Heidfeld, Rubens Barrichello e, para não dizerem que não falei de todos, Pedro de la Rosa, ainda são cotados para assumir vagas na categoria mesmo não sendo exatamente pilotos que tem grande futuro pela frente e que carregarão equipes rumo ao título.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: