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04/03/2011 / Marcio Kohara

Temos favoritos em Guanajuato?

Texto modificado publicado no PodiumGP.

Ontem foi dia de Shakedown e Super Especial 1 no Rali do México. Hoje, os pilotos completam a programação do primeiro dia de competição. Apesar da segunda etapa do Mundial estar apenas no seu início, parece bem claro que temos favoritos.

A etapa mexicana do WRC é disputada no topo da Sierra Madre mexicana (a cidade de Leon, no estado de Guanajuato, sede oficial do rali, fica a 2500 metros de altitude). A altitude, este fantasma na vida brasileira… Enfim, se o amigo do Col caiu aqui de paraquedas e apenas acompanha futebol, sabe que este mal invisível afeta o desempenho dos jogadores. Da mesma forma, o amigo que nos lê por pena ou educação e apenas se preocupa com a Fórmula 1, categoria que acompanha há tempos, sabe que afeta o desempenho dos carros. O leitor vai se lembrar de todo o papo boleiro de que os brasileiros temem a famigerada altitude, que acontece em todos os confrontos de times tupiniquins em campanhas sul-americanas que tenham países como Colômbia, Equador, Bolívia e Peru como destinos -mesmo que se joguem em cidades como Barranquilla, Cartagena, Santa Cruz de La Sierra, Guayaquil e Lima, que ficam situadas ao nível do mar ou perto disso. E, no tocante à Fórmula 1, vai se lembrar que há pouco mais de duas décadas atrás, quando a Fórmula 1 usava motores turbo e aportava na cidade do México, a voz brasuca oficial da categoria já naquela época -Galvão Bueno- adorava dizer que a altitude roubava potência dos motores turbo -e, com isso, diminuia a diferença dos motores turbo para os aspirados (já que nestes a redução é menor, mas existe).

Enfim, o fato é que a altitude elevada afeta o desempenho dos motores. Da mesma forma que funciona com a respiração humana, os motores dos carros precisam de oxigênio para funcionar -no caso dos motores, para o oxigênio entrar como comburente na reação de explosão que faz o motor funcionar. Em altitudes mais elevadas, temos menos ar -e menos oxigênio-, e por isso, o funcionamento do propulsor é prejudicado, reduzindo a sua eficácia. Em motores sobrealimentados, que usam o turbo para forçar a entrada de mais ar que entra na mistura de combustão e com isso gerar mais potência, a situação fica mais evidente, já que o deficit de oxigênio é maior. Apesar de ser um fator prejudicial aos dois lados, o retrospecto mostra que os motores da Ford costumam sofrer mais do que os da Citroen nesta situação adversa.

Outra variável que pesa sobre os Ford, que dominaram a festa na Suécia, é que eles virão limpando a pista neste primeiro dia. E, como ‘limpa trilhos’, que são os pilotos que abrem as tomadas de tempo, sujeitos às interpéries da posição ‘de honra’ -como galhos e cascalho, o que tira a performance do carro-, e sujeitos à ‘cola’ -rastros na pista que ajudam os perseguidores a terem uma noção do que os ponteiros fizeram-, perderão tempo neste primeiro dia.

Isso ajuda a explicar o porque dos três principais carros da Citroen mostrarem uma forma melhor do que os da Ford neste primeiro dia (uma espécie de revanche do que aconteceu na Suécia, quando a situação foi oposta, com vantagem para os Ford). Apenas resta saber se a vantagem que os Citroen abrirão nesta sexta-feira será definitiva para os dias seguintes, quando os Ford terão a vantagem da posição de largada.

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