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24/03/2011 / Marcio Kohara

Um histórico dos brasileiros no WRC

O piloto brasileiro Daniel Oliveira estreia neste final de semana no Campeonato Mundial de Rali ao comando de um Mini Countryman. Oliveira encabeça uma equipe própria, a Brazil World Rally Team, que terá apoio da Prodrive (que é preparadora oficial dos Minis no WRC) e já teria acertado um projeto de longo prazo, de pelo menos três temporadas para o fornecimento de equipamentos.

O que isso significa exatamente? Se para o resto do mundo o que importa é a volta da Mini -que tratamos no texto anterior-, para o rali nacional é uma iniciativa pioneira que merece destaque pelo seu ineditismo.

Vale lembrar que o rali nacional não é dos mais fortes. Tratado com descaso pela Confederação Brasileira de Automobilismo -o que não chega a ser exatamente uma surpresa-, tudo o que existe é fruto da dedicação de abnegados e apaixonados. Por esta falta de estrutura e planejamento, o rali nacional caminha com alguma dificuldade (lembrando que rali de velocidade não é a mesma coisa que rali Cross-Country, que tem como atividade mais conhecida o Rali Dakar e o nacional Rali dos Sertões).

A falta de apoio se reflete nos parcos resultados do rali nacional. Existem algumas iniciativas isoladas -apoio oficial da Fiat e da Chevrolet e a Copa Peugeot-, alguns eventos fortes -o rali de Erechim é um exemplo-, mas, no geral, pouco ou nada existe. Se analisado o cenário além-fronteiras, então, a coisa piora. O campeonato sulamericano -o tradicional Codasur- não é dos mais fortes, acaba não servindo exatamente como uma plataforma de lançamento para ‘aventuras’ mais ousadas. E, no cenário internacional, a participação de Oliveira no International Rally Challenge na última temporada é uma exceção. Ou seja, para a internacionalização do rali brasileiro, a iniciativa da Brazil WRT significa muita coisa. Afinal, trata-se da primeira ‘aventura’ de um brasileiro em uma programação de médio prazo no Campeonato Mundial.

Antes de Daniel, houveram outras tentativas de disputa do campeonato? A resposta é não. O retrospecto dos representantes brasileiros na modalidade mostra 19 disputas isoladas, sem que se houvesse um plano que não fosse a participação de uma etapa do campeonato. E, justamente por esta falta de continuidade, o retrospecto brasileiro no Campeonato Mundial de Rali trás poucos momentos de destaque. A coisa ainda fica mais decepcionante se considerarmos que já tivemos no Brasil uma etapa do WRC -o Rali do Brasil, disputada em 1981 e 1982 entre as cidades de São Paulo e Rio de Janeiro…

Para se ter uma ideia, caso Daniel Oliveira cumpra o plano traçado para esta temporada, será o brasileiro -seja piloto ou co-piloto- com mais participações na categoria (Daniel deve fazer 10 ralis neste ano). Não há nenhuma dupla que registre mais do que três participações, e o piloto com mais participações em etapas do WRC, Paulo Lemos, conta cinco inscrições. O melhor resultado é um quarto lugar da dupla Aparecido Rodrigues e José Mattos no Rali do Brasil de 1982. O último ponto foi no distante ano de 1989, quando a dupla que tinha o catarinense Édio Fuchter e o argentino Ricardo Costa levou um ponto pelo 10º lugar no Rali da Argentina daquele ano e a última participação de um brasileiro numa etapa do mundial foi com a dupla Ricardo Costa e Nuno Almeida, no Rali da Argentina de 2007.

Enfim, fica a torcida para que o plano de Daniel funcione e dure por muitos anos. E que consiga anotar resultados mais expressivos do que os já registrados até agora.

 

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