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03/05/2011 / Marcio Kohara

Um programa de Indy(o)

O fim de semana da Indy foi de doer. Claro, o grupo de comunicação oficial diz que não foi assim, que essas coisas acontecem, que o resto foi muito bom e tudo o mais. Mas o fato do único evento da categoria fora da América do Norte garantido para a próxima temporada ter apresentado tantos problemas mostra que a coisa não é tão simples assim. De fato, a organização foi boa, a pista teve os problemas da última edição corrigidos e parecia que tudo ia dar certo. Foi bem, mas na hora de tirar um dez, relembrando o quadro do Professor Raimundo e Rolando Lero…

Claro, a chuva é um evento meteorológico e não se espera que a Prefeitura tenha o poder de evitar que chova. É justo arguir isso. Da mesma forma, fazia um bom tempo que não chovia na cidade e chover justo na hora da corrida pode ser creditado ao azar. Justo também. Agora, não choveu tanto assim. E quanto a corridas adiadas na Indy não serrem um absurdo tão grande assim… Em corridas em ovais sim, não é um absurdo porque os carros não correm com pista molhada. Mas chuva forçar adiamento de corrida em pista mista, onde carros podem andar com pneus para chuva, é a primeira vez que me lembro.

E poderia ser menos complicado se fossem tomadas medidas de precaução. Como, por exemplo, antecipar o recapeamento e dar tempo para o asfalto curar. Asfalto recente, como vimos no GP da Coreia do ano passado, acumula água e dificulta a sua dispersão. Poderiam ter evitado o desfile dos Fórmula Truck, que teriam lambrecado a pista antes da prova. E poderiam ter feito a turma passear atrás do Pace Car, sob bandeira amarela, quando a chuva amainou, as 15h. Em meia hora a pista secava e a vida seguia. ‘Ah, mas ia ter Palmeiras e Corinthians logo depois e a Band ia mostrar’. Verdade. Mas a transmissão de um jogo de futebol era mais importante do que a corrida e o cotidiano da população? Beleza. Assim sabemos quem manda na cidade.

O problema não era meu. Virou um problema meu -e nosso- quando um evento privado, de nicho, para endinheirados, tomou a Marginal de assalto e complicou a vida de parte importante da população. Claro que atrapalhou, diferente do que quiseram fazer entender as autoridades. Se não inviabilizou, complicou a ponto das pessoas procurarem alternativas. E as autoridades eleitas tratam do assunto como se fosse algo normal. Até tem sido, mas não deveria ser, essa é uma inversão de valores das autoridades que estão pouco se ferrando pro populacho. Alternativas para os cidadãos da municipalidade, como transporte público, não há. Hein? Oposição? Invejoso porque meu partido não tá no poder? Desculpe, vá ofender outro. O tal partido citado comandou a prefeitura no começo da década passada e fez obras faraônicas e feitas nas coxas como o túnel da Av. Rebouças… Não existe alternativa, o fato é esse.

Poderiam usar Interlagos, que é o próprio da Municipalidade construído para a função e deveria servir para estas coisas, não é mesmo? ‘Ah, o tio Bernie não deixa’, dizem os teóricos do medo. Então ele é o dono da pista, agora? Privatizaram o circuito? A reforma é bancada pela Prefeitura mas quem manda e desmanda é o Bernie Ecclestone? Beleza então. Na década de 1990 foi a mesma celeuma quando o Rio resolveu negociar com a Indy. ‘Vamos perder a Fórmula 1’, ‘tio Bernie vai se vingar da gente’, ‘o céu vai cair sobre nossas cabeças’, ‘a CBA vai ser excluída da FIA’ (se bem que essa última não era uma ideia tão ruim….). O veto é para categorias internacionais? Mas não teve FIA GT no ano passado, queriam fazer o WTCC nesse ano e a Le Mans Series como Mil Milhas há uns três, quatro anos? É para categorias monopostos? Mas a World Series correu em Interlagos no meio da década passada. O veto é expresso para categorias norte-americanas? Exclusivo para a Indy? Para categorias que a Globo não gosta? Ninguém mostra a cláusula. Vivemos de conclusões, mas a tal cláusula que é bom ninguém mostra. Por enquanto, o que parece é que tem muita autoridade borrando a cueca (ou a calcinha), com medo de trabalhar pelos interesses da cidade. Isso sim.

Claro que também não interessa para a Indy fazer a corrida em Interlagos. Ia pegar mal rodar 10 a 15 segundos mais devagar que um Fórmula 1. Agora, a pista está lá. E nessa semana… Não teve nada na pista. Os medos da Indy não são problema meu. Por outro lado, usam dinheiro público pra montar a pista -pelo menos pra fechar a Marginal e outras vias e estragar a ‘Passarela do Samba’, metendo ranhura lá. Se é para não usar, por que não fechamos a pista e fazemos o tal parque que os moradores locais sonham há tanto tempo? Ou então, pega a grana que usam no Sambódromo para investir em melhorias na pista de Interlagos? Reativar o velho traçado (ou pelo menos boa parte dele) com a grana que torram anualmente na montagem e desmontagem da pista seria uma alternativa simpática. Se a Indy quer fugir de comparações, seria uma boa alternativa.

Seria bom alguém que não os pilotos aparecerem para dar explicações convincentes. E seria bom aparecer algum jornalista para fazer perguntas. Por enquanto, os dois lados estão em débito.

Escrevi algumas coisas como estas acima e um pouco mais na coluna do BestCars. Dá uma passada lá.

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