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12/05/2011 / Marcio Kohara

O expresso do oriente…rasga a noite, passa rente…

…E leva tanta gente…Que eu até perdi a conta (Paralamas do Sucesso)

O Expresso do oriente rasga a noite na Fórmula 1. Mas não leva tanta gente assim. Pelo menos não para as pistas. Se a Fórmula 1 não mais voltar a Istambul Park depois da etapa disputada no último final de semana, muitos ficarão chateados. Dizem que a pista turca é a melhor jamais projetada por Hermann Tilke, que a pista é sensacional e a Fórmula 1 sentirá muito a falta dela.

Pessoalmente, eu tenho dúvidas até se Istambul Park chega a ser o melhor projeto do alemão. Ok, tem uma curva legal -a tal da curva 8-, um ponto de freada que é um ponto de ultrapassagem quase ideal e uma sequência de curvas lentas que dão uma embolada e fazem a reta dos boxes virar uma região de disputas. Mas é metade da pista. A outra metade é um emaranhado de cotovelos que não sei se merece toda essa deferência. Para falar a verdade, sempre gostei mais de Sepang, das curvas 5 e 6 e da 14 antes da entrada da reta oposta. Não são feitas em pé embaixo, mas exigem boa técnica dos pilotos e boa parte da pista sempre em empolgou. Xangai é uma pista legal também. Mas, para quem for sentir falta da curva, Hermann Tilke mostra que pensa no meio ambiente e tem promovido a reciclagem de ideias, reaproveitando curvas legais em pistas novas. Parece que será o caso da curva 8 turca na pista de Austin, por exemplo.

Claro. Existem pistas ruins projetadas por Tilke. Bahrein, Valência e Abu Dhabi são exemplos clássicos disso. Agora, tudo isso está longe de ser o grande problema das pistas do arquiteto. O grande pecado das pistas criadas por ele não é dele, Tilke. É de Bernie e da lógica vigente na atualidade para a eleição de paragens para as novas pistas da categoria.

O maior problema dos tilkódromos -como são conhecidos os projetos de Tilke- é a falta de alma. As pistas são construídas em paragens que não tem a menor tradição no automobilismo mundial. Malásia, Bahrein, China, Turquia, Europa (Espanha/Valência), Cingapura, Abu Dhabi, Coreia, índia, Russia e Estados Unidos (Austin)… Dos onze locais que abrigam projetos de autoria de Herr Hermann que estão na F1 ou estarão, apenas Espanha e Estados Unidos tem tradição no esporte. Ou seja, nestes locais, a ideia de que a Fórmula 1 é o ápice do automobilismo, que existem muitos apaixonados pelo esporte dispostos a queimar uma boa grana para ver um evento deste, que é uma honra receber a categoria e toda esta lenga-lenga não existe. Normalmente é um governo de poucos que faz um evento exclusivo para poucos, com o intuito de faturar politicamente tal realização. Assim, não existe uma comoção local para receber a principal categoria do automobilismo e todo o evento acaba despercebido, mesmo que seja disputado em um local que lembre um templo opulente do automobilismo. Agora, igreja sem fiel é a mesma coisa que evento esportivo de grande porte -seja futebol, seja automobilismo- sem torcida. É um anti-climax.

No curto prazo, realmente a ideia oferecer o espetáculo e embolsar a grana de governos de paragens longínquas e distantes é boa. Mais grana recebida, dispersão do campeonato por locais exóticos, circuitos novos, não precisamos pisar em buracos como Aida/Okayama ou ímola… O problema é que se precisaria criar uma legião de fãs locais dispostos a pagar o valor absurdo das entradas nas corridas, e estes fãs criarem a atmosfera própria de um evento como merece a Fórmula 1. Sem eles, temos um espetáculo sem alma, que é como um saco vazio. Não para em pé.

Ficar distante dos fãs, uma categoria que cada vez mais se posiciona mais longe dos interesses da indústria… Pode ser o início do fim da Fórmula 1 como conhecemos hoje, da paixão que ela gera em torcedores incautos que, sem receber uma retribuição qualquer, um reconhecimento, vão ficando cada vez mais distantes. Seria um fim triste para uma categoria, mas é um cenário que pode acontecer no futuro.

2 Comentários

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  1. Ron Groo / maio 12 2011 4:19 pm

    Se o circuito de Austin sair, né… Ao que parece o negócio lá esta atravancado.

    • Marcio Kohara / maio 13 2011 11:50 pm

      Bom, tá saindo, pelo que dizem. As coisas tão andando lá.

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