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19/05/2011 / Marcio Kohara

Ralis Maratona – O futuro está no passado


Jean Todt FIA
Se, para a Fórmula 1, Jean Todt é o sujeito que comandou o ‘Dream Team’ ferarista -com Rory Byrne, Ross Brawn, Michael Schumacher e Nigel Stepney- e que hoje é o Presidente da FIA, para o mundo dos ralis o baixinho francês é o homem que revolucionou o esporte e comandou uma das operações mais gloriosas da categoria. E, para este lado menos popular do esporte a motor, a chegada de Todt é uma lufada de ar fresco para uma categoria que vinha sendo destruída pela dupla Max Mosley e Bernie Ecclestone.

Poucos sabem, mas a origem de Todt é nos ralis. Começou a carreira como piloto, mas logo se encontrou no papel de navegador. E leu notas para gente gabaritada, como Ove Andersson e Guy Frequelin -que depois fizeram sucesso em outras posições na gestão do esporte mundial. Por isso mesmo é alguém que conhece o assunto e não vai acabar com o esporte. Para ajudar na gestão do mundo dos ralis, Todt trouxe a grande dama do automobilismo mundial Michelle Mouton para a gerência do WRC. A francesa tem a missão de trazer de volta o brilho que a categoria já teve (você pode ler mais sobre este assunto aqui). E Mouton já mostra resultados na direção da categoria. Nem tanto pela implantação do novo regulamento -que nada tem a ver com a sua gestão-, mas na adoção de algumas medidas que trazem de volta a alma aventureira do rali e na atitude mais ativa na resolução de uma grande polêmica do mundo dos ralis, que é a redução tática de velocidade -assunto que merece um outro texto.

Aqui falaremos da tentativa de fazer voltar a alma e do espírito de aventura ao WRC. No início do campeonato, em 1973, eram comuns os ralis itinerantes, que percorriam longas distâncias e ligavam um local ao outro. A primeira etapa da história do WRC, o Rallye Monte Carlo de 1973, teve largadas em nove locais diferentes, por exemplo. E o Rali do Brasil, disputado no início da década de 1980, tinha a largada em São Paulo e terminava no Rio de Janeiro. Não era o único, os ralis tradicionais como os de San Remo (Itália), Portugal, Tour de Corse (Córsega, França), Safari, entre tantos outros, também eram disputados em longas distâncias. Porém, o tempo passou e a FIA resolveu compactar e concentrar os ralis, reduzindo os problemas de logística e também os custos da categoria. Só que a FIA exagerou na dose, e a categoria se engessou. Complicou tanto a realização dos ralis que etapas importantes como Monte acabaram pulando fora da categoria.

Agora, há um movimento de volta às origens do rali. A FIA estuda um novo formato de ralis longos para quebrar um pouco da pasmaceira que a competição tem vivido nos últimos anos. E a organização do Rali da Argentina confirmou que recebeu e aceitou um pedido da Federação Internacional para estudar uma formatação diferente da sua etapa do mundial para aplicação já em 2012. Seria a primeira etapa do gênero neste novo formato, que serviria como teste para a aprovação deste formato ou não. Se aprovado, pode ser expandido para outras etapas nos anos seguintes -sendo agregada uma etapa a cada ano.

A Revista Corsa portenha mostrou, em reportagem publicada nesta semana, algumas informações sobre este novo tipo de rali, ainda em estudos -que chamarei de ‘Rali Maratona’. O apelido se justifica, afinal a etapa deve ter de 800 a 1000 quilômetros cronometrados, que é mais do que o dobro da atual distância das etapas do WRC (350 kms). Pela maior distância percorrida e pela dificuldade maior, se estuda a possibilidade destes ‘ralis maratonas’ valerem mais pontos no campeonato do que os ralis comuns.

Para o caso da etapa argentina na próxima temporada, a princípio, há a possibilidade de uma organização conjunta com a federação uruguaia. Mas também existe outras ideias de roteiro sendo estudadas, como uma possível largada nas Cataratas do Iguaçú, com a chegada em Rosário, a tradicional sede da etapa argentina do WRC. A organização argentina ainda formata a melhor opção para este novo formato de rali.

Se confirmado, seria uma nova variante para o WRC. Um tipo diferente de rali para uma categoria que tenta deixar os tempos de baixa para trás e que está renascendo, como podemos verificar.

Publicado originalmente no PodiumGP

4 Comentários

Deixe um comentário
  1. Ron Groo / maio 19 2011 4:26 pm

    Eu não sabia da ligação do TopoGigio com os Rallies, mas é bom saber que ele não foi para a FIA cuidar só de F1.

    • Marcio Kohara / maio 20 2011 7:13 pm

      Graças a Deus que tem alguém não olhando só pra F1….

  2. Miguel / maio 19 2011 6:12 pm

    Boa noite,

    São boas noticias, caro Márcio.
    Já tinha ouvido falar dessa possibilidades, mas nunca imaginei que fosse em frente num curto prazo.
    Neste momento os ralis estão totalmente formatados, até o vencedor final é conhecido antes da prova, tornando-se algo aborrecidos para o grande público.
    Ao juntar estas noticias ás entradas da MINI, VW e a possibilidade de mais 1 (Japonesa
    ou SAAB) pode ser que os bons velhos tempos estajam de volta… e eu aqui em Viseu (Portugal Interior/Norte) possa voltar a ver o wrc à porta de casa como até 2001!!

    Abraço

    • Marcio Kohara / maio 20 2011 7:15 pm

      Tomara que voltem sim, caro Miguel. =)

      Com todas essas notícias, o WRC voltou a crescer. Tomara que a linha ascendente se consolide.

      Grande abraço.

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