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28/05/2011 / Marcio Kohara

O mundo real e a redoma do circo

Um papo que apareceu com força nestes últimos dias é a volta do Grande Prêmio do Bahrein ao calendário deste ano. Como fariam isso? Simples -ou relativamente simples. Atrasa-se o Grande Prêmio da India para meados de dezembro e colocaria o Bahrein na vaga aberta em outubro. Com isso, mais uma vez, o GP do Brasil perderia a vaga de ‘season finale’, fechamento de temporada, agora indo para o novo circuito de Jaypee.

Bernie topa fazer esta mudança, afinal, entraria dinheiro, não é mesmo? As equipes também topariam numa boa. Ainda mais a Mclaren, que tem parte substancial do controle acionário nas mãos do fundo soberano barenita. A organização da etapa indiana também toparia de bom grado, já que desobrigaria uma eventual correria no acabamento da construção do circuito. O problema seria convencer a força de trabalho que faria algum sentido atrasar em um praticamente um mês o fechamento da temporada (meados de novembro para meados de dezembro) depois que a data da etapa brasileira chocou um pouco os integrantes do circo por já significar uma extensão da temporada tradicional. Mas, claro, o proletariado, na Fórmula 1, também é uma classe oprimida, então não deve ser um obstáculo grande para a sanha arrecadatória de tio Bernie.

Se vai rolar? Bom, a princípio, o obstáculo maior seria a FIA, que marcou para sexta que vem (também conhecido como 5 de junho) a ‘decisão final final’ para este assunto (lembre-se que a ‘decisão final’, marcada para o dia 1º de maio, foi adiada porque haviam indícios de que a coisa estava andando lá no Bahrein).

Só que, nesta semana, uma matéria do Financial Times (aqui, em inglês) mostra que a confusão no Bahrein não melhorou muito, apesar de todos os esforços governamentais para aparentar evoluções. Internamente, a confusão sectária entre a elite sunita e a maioria xiita segue. Os protestos foram sufocados, mas este tipo de reação apenas deixa os ânimos reprimidos, mas prestes a causar uma reação mais séria dos marginalizados na primeira oportunidade. E, na própria reportagem, constam relatos de abusos por parte do governo (como interrogatórios a jornalistas estrangeiros e prisões de imigrantes) que mostram que a intenção não é a de aliviar a pressão tão cedo.

Claro que interessa para o Governo local a volta da Fórmula 1, afinal consolidaria a impressão de que as coisas estão evoluindo, dentro e fora do país. Agora, que a aparente tranquilidade -se ela houver nem eventual GP do Bahrein- seria uma verdadeira farsa, seria. Para a Fórmula 1, que sempre imaginou viver numa redoma, isolada dos problemas mundanos, não seria exatamente uma novidade -afinal a mesma Fórmula 1 em algum momento apoiou o regime do Apartheid e ignorou as pressões do mundo para boicotar os GPs disputados no território sul africano na época, por exemplo. Mas, para as pessoas que colocam o dinheiro nesta brincadeira, seria interessante estar ligada a este tipo de movimento? A princípio não. Por isso dá para imaginar que as pressões serão fortes até o fim da próxima semana…

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