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03/06/2011 / Marcio Kohara

Balanço de meio de temporada do WRC

Com o fim da sexta etapa do campeonato, praticamente chegamos à metade da temporada do Mundial de Rali (que terá 13 etapas neste ano). Por isso, é hora de fazermos o primeiro balanço do que aconteceu até aqui no WRC. A seguir temos uma lista de temas que resumem o que tem sido a temporada até aqui:

Os novos carros/novo regulamento:

2011 é o ano do nascimento da nova classe WRC, baseada no regulamento Super 2000. E esta mudança revolucionou a categoria. Tanto que hoje, vendo os novos foguetinhos DS3, Fiesta e até mesmo o Countryman em ação, fica até estranho observar os (agora) velhos C4 e Focus sem achá-los um tanto desengonçados ou lentos. Sem contar que este novo regulamento técnico, de carros menores com motores menores é mais adaptado aos novos tempos da indústria, que busca fazer carros mais eficientes e ecologicamente corretos -além de ter reduzido os custos para se fazer um carro competitivo para o campeonato. Por esta correção de rumos, atraiu a atenção de duas gigantes do mercado de automóveis -BMW, com a marca Mini, e a Volkswagen- e podem atrair ainda mais concorrentes e mais atrair mais atenção ao até então decadente campeonato. Devido a todos estes fatores positivos, podemos dizer que esta foi uma ótima mudança (viu Fórmula 1?).

Uma nova marca (já na pista):

A Mini foi uma parceira de primeira hora para o novo WRC. E é uma volta interessante para o mundial. Primeiro, porque é uma marca com história nas pistas. Se nunca fez parte do Mundial -que começou em 1973-, a Mini dominou o Rallye Monte Carlo na década de 1960. E, além da marca ser uma velha conhecida do mundinho dos ralis, trás de volta a Prodrive, afastada do mundial desde a saída da Subaru, em 2007. Se a marca japonesa não se interessou mais em investir no rali e a preparadora esteve namorando o circo da Fórmula 1, o novo regulamento fez com que duas marcas se unissem para entrar de cabeça no novo WRC. A Mini colocou na pista dois Countrymans semi-oficiais sob o comando de Armindo Araújo e Daniel Olveira no Rali de Portugal (3ª etapa) e, na Sardenha (5ª etapa, Rali da Itália), a equipe oficial com Kris Meeke e Dani Sordo estreou. Os Minis ainda sofrem com a falta de confiabilidade -o que deve ser resolvido com o tempo-, mas mostraram boa velocidade e potencial nestas primeiras participações.

O Brasil no WRC?!

Foi com alguma surpresa que o nome de Daniel Olveira surgiu no noticiário do Mundial de Rali. Inicialmente como rumor, depois confirmado como piloto semi-oficial e primeira equipe Mini inscrita no Mundial. Afinal, o piloto natural de Salvador não é um nome muito conhecido no rali nacional -tendo construído boa parte da carreira na Argentina e, no ano passado, fez a temporada do IRC. Daniel justifica a entrada no WRC como uma oportunidade, já que o IRC faria a maior parte da temporada em asfalto (o que não interessa a ele) e a Mini estava entrando no Mundial, o que significava uma maior oferta de carros. Assim, entra como aprendiz na principal categoria, numa situação um tanto complicada, que tem significado um aprendizado duro para o brasileiro. E, até o momento, por causa dos problemas de confiabilidade do Countryman já citados e pela inexperiência, Daniel ainda não conseguiu realizar um rali completo.

20 World Rally Cars inscritos!

A principal prova do sucesso deste novo formato é a quantidade de carros que vem sendo inscritos pelas equipes. Na Sardenha, por exemplo, 20 carros oficiais e semi-oficiais se inscreveram para a disputa, um número de carros que até a temporada passada parecia inimaginável. A entrada da Mini ajuda nas contas, mas a quantidade quase assombrosa de carros advém da melhor relação custo benefício dos novos carros.

Seb et Seb Show:

Na pista, os ralis depois da Suécia tem se resumido ao Seb et Seb Show (ou o Show de Seb e Seb, numa tradução ‘googletranslateana’). Independente do que aconteça na pista, os dois Sebastien da equipe oficial da Citroen dominam o posto mais alto do pódio. Em parte, pela eficiência dos novos DS3, que tem se mostrado um pouco superiores aos rivais Fiesta, pelo menos na confiabilidade do conjunto. Por outro, pela competência de ambos -e os azares e as inconsistências de Petter Solberg, Jari-Matti Latvala e Mikko Hirvonen. Mas o fato é que ambos tem dominado o show neste novo WRC -com Loeb tendo vencido três contra duas de Ogier. Mas é a primeira vez que um companheiro de equipe de Loeb vence tantas corridas assim numa mesma temporada (mesmo sendo apenas duas). Estamos assistindo uma nova estrela surgir? Pode ser o prenúncio da passagem do bastão? Será?

wrc

A nova geração?

Se a geração de Sebastien Loeb e Petter Solberg parece mais próxima da aposentadoria do que do início da carreira e Mikko Hirvonen, apesar de um pouco mais novo, não parece que fará o seu estilo cerebral imperar, uma nova geração parece pronta para tomar o WRC de assalto. Sebastien Ogier começa a mostrar serviço pela Citroen oficial enquanto Jari-Matti Latvala começa a mostrar resultado depois de dois anos pecando pelo excesso. Isso sem contar nomes como Mads Ostberg e Matthew Wilson, que parecem prontos para se estabelecer como pilotos da equipe B da Ford, a Stobart. E, claro, nomes que vem fazendo bom papel no IRC, como o do belga Thierry Neuville e do finlandês Juho Haninen, por exemplo.

A confusão pré-Jordânia

Entre o fim de março e meados de abril, um verdadeiro caos tomou conta do circo do WRC. A crise nos países árabes parecia não ter fim e explodiu uma revolta na população da Síria, vizinha da Jordânia e ponto chave na logística do rali árabe. Ainda no rali de Portugal, etapa que antecedeu a etapa jordaniana, reuniões entre os organizadores e chefes de equipes para discutir o que seria feito na etapa -se é que ela aconteceria. Decidiu-se pela realização do rali, mas quase tudo o que poderia dar errado deu -confusão na hora do despacho do material, quebra do barco, atrasos…  No fim, devido aos enormes atrasos, um dia de competições foi cancelado,  mas o rali acabou acontecendo. A consequência dessa confusão toda foi a exclusão do Rali da Jordânia do calendário da próxima temporada.

O que esperar da segunda metade da temporada?

A segunda metade do campeonato é a que concentra a os eventos de asfalto -serão três dos sete nesta superfície. E nessa superfície, mais do que em qualquer outra, a superioridade de Sebastien Loeb é latente. Assim sendo, e conseguindo vitórias quando elas não parecem mais possíveis, como foi o caso do última etapa, na Argentina, quando Loeb venceu mesmo depois de tomar um minuto de punição porque os outros pilotos foram cometendo erros e deixaram o caminho aberto para o francês, parece difícil que alguém consiga impedir o octa-campeonato. Mas, por outro lado, qualquer bobeada em algum rali e o campeonato pode voltar a ficar aberto -já que são 13 pontos para Hirvonen e 30 para Ogier. Mas Loeb comete bobeadas? A última etapa responde que elas podem aparecer. Mas precisariam ser aproveitadas pelos concorrentes. Se não aproveitam, fica difícil bater o francês.

Publicado originalmente no PodiumGP

One Comment

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  1. Miguel / jun 9 2011 3:15 pm

    Caro Márcio,

    Videos do Brasil no WRC (com sotaque luso claro) Argentina e Sardenha:

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