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09/06/2011 / Marcio Kohara

A guerra dos anões – um novo capítulo

Ninguém entendeu. Eis que, finalmente, depois de muito bumbo batido e a com a chancela da FIA para a volta de sua prova preferida -por render mais a sua conta corrente-, Bernie Ecclestone aparece dizendo que não acredita em uma corrida no Bahrein neste ano, que é contra esta volta e tudo o mais. O baixinho ficou maluco?

Não necessariamente. O fato é que tio Bernie, esperto como é, joga para a torcida. Marca posição contra a ida de seu circo para o Bahrein por dois motivos -e os dois tem um alvo em comum, sei inimigo preferido, Jean Todt, que ameaça a sua posição de baixinho mais importante do automobilismo. O primeiro, óbvio, é desgastar Todt na visão da opinião pública, descolando-se do apoio ao Bahrein e vendendo que o Presidente da FIA foi o principal artífice para a volta dos árabes no campeonato. O segundo, mais interessante ainda, é queimar Todt com relação a algumas equipes independentes (não é o caso da Mclaren, que tem o Mumtalakat, o fundo soberano barenita, como sócio importante da equipe), prestando solidariedade àqueles que foram contra a volta dos barenitas.

E tem um terceiro detalhe. Segundo Max Mosley, tirado do almoxarifado para dar suporte ao seu aliado de primeira hora (Bernie), há um problema para esta mudança de calendário. Depois de inciado o campeonato, a mudança de calendário que vier a acontecer tem que ser aprovada por unanimidade pelas equipes. Se esta aprovação unanime não acontecer, o calendário não muda e segue o escrito anteriormente. E, claro, se confirmado que nem todas as equipes gostariam de mudar o calendário do campeonato, isso seria um desgaste tremendo para Todt.

Todt, neste caso, está com as mãos atadas. Não há muito o que possa fazer se um membro importante de seu staff diz que há condições de se realizar a prova e sendo o Bahrein um membro importante no Conselho. Se correr para um lado, ele fica como um banana por ter aceitado fazer parte do teatro que tenta fazer parecer que a coisa se normalizou enquanto continua borbulhando. E se correr para o outro, gera uma crise institucional em seu governo, desautorizando um emissario e descontentando um eleitor importante. Por enquanto, ele vai ficando como um banana -é o momento de engolir o sapo.

Claro, como citamos no post anterior, Todt tem mexido no vespeiro ao tentar tirar da Fórmula 1 a posição de protagonista exclusiva do automobilismo mundial. Posição a qual o esporte foi levado nos 20 anos anteriores pela duplinha Bernie e Max. Que aparecem aí para trabalhar contra o trabalho do francês -que vai colecionando vitórias nos outros campos, como a reorganização do Mundial de Protótipos e a reentrada de Monte Carlo ao WRC. O regulamento técnico da Fórmula 1 tem sido outro campo de batalha. E, em todos os casos, as ideias de Todt são mais interessantes para o esporte e parecem mais ligadas ao futuro do que as do binomio Bernie e Max.

Ou seja, temos neste momento uma briga de gigantes. Apesar de serem baixinhos, os dois envolvidos. Aguardamos cenas dos próximos capítulos.

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