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06/07/2011 / Marcio Kohara

A Williams é o Palmeiras da Fórmula 1?

Digamos que a atual situação da Williams lembra um pouco a de times de outros esportes coletivos. Os exemplos mais famosos são times de futebol brasileiros como Palmeiras, Botafogo e Atlético Mineiro, que podem ter todos os problemas que porventura venham a sofrer, mas ainda são vistos pelos outros como times grandes. E isso acontece mesmo que estes times passem uma temporada ou outra na segunda divisão, ou sofram cinco, seis anos sem conquistar absolutamente nada -e isso pode significar inclusive um desprestigiado campeonato estadual. Claro que, como o Col é brasileiro e não desiste nunca, utiliza-se de exemplos nacionais. Mas, numa exemplificação global, poderíamos utilizar a Juventus de Turim como exemplo.

Claro, a Williams nunca caiu para a segunda divisão, afinal não existe uma segunda divisão na Fórmula 1. Mas o fato é que os últimos anos da equipe tem explicitado uma decadência que beira o insólito para a equipe que há quinze anos dominava a categoria e há quase vinte abriu mão de um regulamento que dominava absurdamente para fazer voltar a competitividade na categoria.

A volta dos motores Renault, anunciada com pompa e circunstância nesta segunda-feira, explicita um pouco disso. Neste momento, os motores franceses não são a solução para quase nada para a crise da Williams. São motores melhores do que os Cosworth? Hoje são. Mas, numa análise rápida, as quatro fornecedoras de motores não estão tão distantes umas das outras. Se a Mercedes tem o melhor motor, seguida de Renault, Ferrari e Cosworth, a diferença entre o melhor e o pior deles não chega a ser gritante. Ou seja, o grande problema da Williams não mora nos motores, apesar da eventual melhora que isto pode trazer para a equipe.

O problema é que a própria Williams vende a ideia de que a volta da Renault significa a volta para os bons tempos. E não demorou para trazer Damon Hill, Nigel Mansell e Jacques Villeneuve para a festa de apresentação da volta da parceria. Da mesma forma, nesta temporada pinta os seus carros com um layout que remete ao carro com que foi campeã pela última vez, em 1997. Claro que é legal para uma equipe lembrar para todo mundo que foi campeã. Mas não significa muita coisa. Da mesma forma que a Williams tenta jogar para a galera que a volta da Renault é a volta dos tempos gloriosos, o Palmeiras já jogou para a galera ao contratar Felipão e Valdívia e o Botafogo contratou Maicossuel para emular o mesmo tipo de sentimento dos seus torcedores. São ícones de tempos mais felizes e não necessariamente são as respostas que o time necessita neste momento.

Para evidenciar que a volta da Renault não significa muita coisa podemos citar dois exemplos. Um é que, da mesma forma que a Williams receberá a partir do ano que vem os motores da Renault, a Lotus já recebe desde o início da temporada. É inegável que os malaios até evoluiram, mas ainda estão um passo atrás das piores equipes veteranas (grupo no qual a Williams está neste momento). E, o outro, ainda mais revelador, é que a Red Bull, que hoje domina a categoria, até o ano passado negociava com outras fornecedoras e pensava em dar um pé nos fundilhos da marca do losango -dizem que um acordo com a Mercedes só acabou vetado porque Sebastian Vettel ainda tem algum tipo de ligação com a BMW, rival da marca da estrela de três pontas. Ou seja, mesmo os motores da Renault não são a panacéia e nem vão resolver todos os problemas da equipe.

Outro detalhe que valida a comparação entre a Williams e estes grandes times envoltos em problemas é a falta de estabilidade. Tanto nos times que citamos quanto na Williams, a linha de planejamento de recursos visa apenas o curto prazo. Se nos times a reformulação de comando técnico e de elencos de jogadores acontece a praticamente todo ano -ou até mesmo sem respeitar o período anual-, sem o menor discernimento e planejamento, coisa análoga acontece com a Williams. Nos últimos anos, fatores como pilotos e fornecedores de motores nunca tiveram uma seqüência longa de desenvolvimento. Assim, desde 2005, a Williams teve os motores BMW, Cosworth, Toyota, Cosworth e terá os Renault a partir do ano que vem. São cinco mudanças de propulsores, com todas as mudanças que eles trazem, em oito temporadas corridas. É muita coisa.

No comando técnico da equipe, Sam Michael não é o projetista mais constante da história da cateogoria e oscila bastante de um ano para o outro. Vale lembrar que o carro de 2008 era até bom, como também o de 2010 não foi dos piores. Mas o de 2011 é ruim, como o de 2006 foi ruim. Só que, sem manter os mesmos parâmetros, fica difícil também seguir uma linha de trabalho constante. Claro, teve bons pilotos comandando as suas máquinas, como é o caso de Nico Rosberg e Rubens Barrichello. Mas também teve piloto risíveis como Kazuki Nakajima ao comando de seus bólidos.

Claro que, no fim das contas, o principal problema da Williams é financeiro. O fato é que ela se tornou uma Sauber de até meados da década passada. É a equipe que depende muito do acerto inicial do seu projeto, porque não vai ter dinheiro para desenvolver ele depois. Então, a equipe não será aquela que vai brigar por títulos. Mas se contentará com alguns brilharecos, um pódio aqui, uma pole ali. Fazendo isso, amealha os seus patrocinadores e investidores e comprará o almoço de amanhã antes de pensar em investir no jantar do mesmo dia.

Agora, evidente que a estabilidade também ajuda no desenvolvimento de linhas que podem levar a equipe mais a frente investindo menos esforços humanos, financeiros e até mesmo físicos. Só que, na situação de pressão absoluta, sem ter a calma necessaria para planejar o futuro, seus dirigentes tomam atitudes pouco pensadas, que acabam tendo efeito contrário ao desejado. Neste ponto, tanto a Williams quanto os times citados como exemplo tem pecado bastante e por isso estão ficando para trás.

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