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09/07/2011 / Marcio Kohara

O campeonato das tartarugas

Como eu não tenho uma bola de cristal e não sei exatamente como foi a classificação para o GP da Grã Bretanha (DA GRÃ BRETANHA, Luis Roberto!) que aconteceu há alguns instantes e o fechamento do Col é no momento dos facões de luz, então escreverei uma fábula. Uma verdadeira bobagem. Espero que os meus cinco leitores não se sintam ofendidos e voltem.

Enfim. A história é bem simples. imagine que teremos um campeonato de corridas de tartarugas na floresta. Agora imagine se este campeonato de tartarugas acontecesse com ingredientes e detalhes dos maiores campeonatos do esporte a motor do mundo.

Imagine se este campeonato tivesse características da:

Fórmula 1: Todas as tartarugas leem o regulamento para achar as brechas e constroem seus cascos baseados nisso. Por isso, toda vez que tem uma reunião para acertar o regulamento, dá confusão. Agora, a tartaruga ‘a’ corre com o casco com 10kgs, a tartaruga ‘b’ com o casco com 12kgs, a tartaruga ‘c’ com 11,5kgs, tudo determinado pelo regulamento, que de vez em quando muda no meio da temporada para beneficiar as tartarugas ‘f’, que quando estão na frente tem o benefício da dúvida e as mudanças ficam pro ano seguinte, quando estão atrás o regulamento muda no mesmo ano.

Para piorar, as tartarugas usam asas de falcão para aumentar a velocidade. No fim das contas, são uns franksteins delicados, e se uma encosta na outra, se quebra toda. Por isso, elas nunca conseguem se ultrapassar e sempre acabam na mesma posição que largaram. Para aumentar o tédio, os trechos da floresta foram projetados pelo mesmo paisagista, o que dá a impressão que as corridas sempre acontecem no mesmo circuito.

O que deixou as corridas mais divertidas foi a ideia de todas as tartarugas usarem chinelos ensaboados. Isso foi um grande sucesso, apesar de ter uma que se adaptou melhor a esta situação e sempre chega na frente.

GP2: As tartarugas são meio malucas, correm desesperadamente e normalmente acabam se dando mal, nas confusões mais estranhas. Pensam que falta apenas um passou para se tornarem as rainhas da floresta, mas mal sabem que serão tartarugas para sempre, nunca virarão nada. No fim das contas, correm pelo campeonato genérico, a segunda divisão, e pagam quase o preço da primeira.

MotoGP: As corridas em geral seriam chatas, com seis tartarugas correndo e duas com chance de vencer. Para piorar, teria pouca briga pela liderança, já que uma tartaruga se dá melhor numa condição e a outra na outra. Como não bastasse, as tartarugas são frágeis e caem a toda hora. Tanto que grande atração da competição são as comemorações de vitórias, que sempre trazem uma esquete animada ou uma festa com a galera.

125cc: As corridas seriam o verdadeiro pega-pra-capar. Uma luta de cegos no escuro entre 40 tartarugas, todas com os hormônios a flor da pele, passando pelos adversários até por onde não dá. As tartarugas aprendem de tudo nesta categoria escola. Até mesmo a contar. Por isso seria uma corrida de sobrevivência, com o vencedor ganhando, mais que um troféu, uma medalha de honra como um veterano de guerra.

WRC: As tartarugas correm separadas e tentam correr o máximo. Correm separadas para não saber o tempo das adversárias e, assim, se esforçar o máximo. O problema é que as tartarugas sabem do tempo de todo mundo, e por isso tem vez que a tartaruga que corre menos é a que ganha. E no fim da corrida, é sempre a mesma tartaruga que vence. Sempre.

Stock Car: A disputa seria equilibrada porque os cascos das tartarugas seriam iguais, apesar de serem diferentes. O problema é que os cascos delas tendem a se desmontar no decorrer da corrida porque as tartarugas são meio brutas e o casco é de papel. No fim das contas, sempre a mesma tartaruga é campeã, mas muita gente não gosta dela por não gostar do pai dela.

Truck: A disputa seria equilibrada, apesar das tartarugas terem cascos diferentes. O problema é que as tartarugas são enormes, do tamanho de rinocerontes e hipopótamos. E elas se comportam como estes animais no momento de um estouro, por isso destroem toda a floresta no decorrer da corrida. Mas como a festa é boa e tem um radarzinho no meio da floresta, ninguém liga. Todo mundo acha que tá tudo certo.

Nascar: As tartarugas correriam em circulos, trocariam tapas, mordidas e se bateriam toda hora. Apesar de toda essa confusão, elas conseguem se manter em movimento graças aos boxes, que resolvem qualquer parada com silver tape. A principal atração é o momento em que 20 tartarugas batem ao mesmo tempo. Comemoração garantida. Afinal, apesar da disputa ser bem equilibrada, é sempre a mesma tartaruga sempre ganha o título no fim do ano.

Indy: Por fora, todas as 26 tartarugas que participam tem, teoricamente, condições iguais. Elas sempre correm em uns lugares estranhos, meio vazios. E quando alguma coisa não dá certo, o que acontece toda hora, elas acabam voltando a andar em comboio, como formigas, umas atrás das outra e andando devagar. Apesar de serem todas iguais, no fim das contas, sempre são as mesmas duas que vencem e brigam pelo campeonato.

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