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18/09/2011 / Marcio Kohara

Mostra sua cara (parte 2)

Ah, claro. Só um detalhe, ainda na discussão sobre a . A socialização do pagamento da taxa de organização -paga pela viúva- e a privatização do lucro me incomoda. Foi o que foi feito na Argentina nesse momento. Se fosse aqui que o Governo Federal resolvesse desembolsar uma grana para receber uma categoria, seja lá qual for, seria uma chiadeira só.

Agora, é exatamente isso o que acontece em São Paulo, na Fórmula 1. A Prefeitura paga a taxa de organização (entre US$30mi e 40mi), mas quem fatura com a publicidade estática da pista são Bernie e a Globo. Ok, rende dividendos para a cidade? Até rende. Mas estes valores ninguém sabe, ninguém viu. Só se divulga a movimentação total, com números vagos e tal. Na Indy é basicamente a mesma coisa, com o agravante que é feita num circuito provisório montado numa cidade que tem um circuito fechado.

Um disparate, que todo mundo aceita porque existe a versão que o Bernie Ecclestone diz que Interlagos é dele e ninguém tasca. Mas tenho certeza que Ecclestone está andando para o que a Prefeitura organiza fora do periodo de reformas para a corrida. Tanto que Le Mans Series já correu por aqui e não consta que teve beija-mão dos organizadores para com o tio Bernie. Mas todo mundo aceita de orelha abaixada que se fecham vias para uso particular sem necessidade, já que agrada a Globo (que não tem a concorrência da Indy em Interlagos) e à Band (porque não vai ter que explicar porque a maravilhosa Indy, de seus carros absurdamente rápidos, gira a 10 segundos da pole da F1).

Claro que existe culpa nossa também nessa bagunça toda. Afinal, não temos uma cultura automobilística, enquanto população e enquanto mídia. Não adianta nada trazer competições fantásticas como o Mundial de Endurance ou o Mundial de Rali pro bananal se nós simplesmente ignoramos o que são e o que significam.

No Brasil, temos uma cultura de Fórmula 1. Sim, graças a Emerson, Nelson e Ayrton, inúmeros ficaram sabendo o que diabos é a Fórmula 1, para que serve e o que significa. Ajuda a aplacar a falta de auto-estima de nosso povo, que exige que seus representantes briguem por vitória, mas não movem uma plha para ajudá-los. Dinheiro? Não. Apoio? Não. Só na Fórmula 1. Paga R$ 500 pra ver a F1 num lugar ruim e não vai de graça no paddock para ver as categorias de base.

Agora, a situação das outras categorias é pior. Afinal, este tipo de conhecimento não se estende para elas. Ao ponto de vir uma Le Mans Series para Interlagos em 2007 e o circuito paulistano estar às moscas… Vir uma DTM -categoria que bombava no cenário mundial- em 1995 e a pista estar às moscas também. A organização foi ruim? Foi. Choveu no dia da DTM? Choveu. Mas se as pessoas soubessem teriam enchido o autódromo? Eis a pergunta que vale muito.

Nos acostumamos a ver corridas pela televisão. Mas nem isso hoje é mais possível. Agora, qual é o espaço que as mídias dão para o esporte, afora a Fórmula 1? Na internet ainda há este tipo de diversificação. Na televisão, os canais abertos não passam quase nada do esporte, em horários pouco interessantes, enquanto nos fechados os espaços são menos raros, mas brigam com esportes da moda, como o futebol europeu e os esportes americanos. No rádio, o monopólio da F1 é ainda maior, com espaço quase nulo para as outras categorias. E no impresso, as revistas de automóveis não abrem espaço para outras categorias, e as especializadas são poucas e também oferecem pouco espaço afora da F1.

E, assim, a cultura do esporte a motor vai morrendo. Será que é esse o nosso futuro? Seria uma pena.

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