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03/10/2011 / Marcio Kohara

Gente ressentida criando factóides…

Desde o final de semana passado, no GP de Cingapura, tem se tentado criar uma polêmica entre Lewis Hamilton e Felipe Massa. O assunto tem ficado meio chato e repetitivo, e eu até já escrevi sobre isso na própria coluna da semana passada no Bestcars. Mas a polêmica reacendeu no último final de semana, com a publicação do vídeo resumo da FOM para o GP de Cingapura.

O tema polêmico, mais uma vez, é uma frase pinçada de Rob Smedley, o engenheiro de pista de Felipe -como o foi na ocasião do jogo de equipe em Hockenheim 2010. Na edição deste GP que aparece a seguir, a 1:10 do vídeo, Smedley aparece orientando o piloto brasileiro: “Segure-o o máximo que você puder. Destrua a corrida dele o máximo que conseguir, vamos!”

Convenhamos, a edição do vídeo é bem inteligente. Afinal, pinçada, esta é uma frase muito boa para gerar ainda mais polêmica sobre o assunto, ainda se considerarmos que logo depois os dois pilotos se encontraram na pista -na já famosa manobra tresloucada da volta 12- e nas consequências diretas de todo este imbróglio -como Hamilton ter ignorado o pedido de conversa de Massa na pesagem oficial e a discussão de ambos na frente das câmeras de todo o mundo. Como o que o vídeo da FOM quer é ser relevante, ainda mais se considerarmos que sai uma semana depois do acontecido numa época em que as coisas estão cada vez mais fugazes, esta declaração pinçada acaba gerando polêmica e dando relevância ao que poderia não ter se fosse menos apelativa.

Obviamente, não foram poucos os que apareceram imediatamente reclamando de Massa, falando da inconsequência da atitude do brasileiro e que o piloto brasileiro tinha cometido a mesma falha de carater de Nelsinho Piquet. Uma grande bobagem. Calma nessa hora. É evidente que Massa vem tendo uma temporada fraquíssima, abaixo da média. Não ter se entendido com os pneus, com o carro, ter visto a ‘sua equipe, nossa equipe’ virar ‘a equipe do Alonso’ em questão de dias ou meses não é algo fácil de engolir. O carro não responder à suas ideias também não é nada bom. E tudo isso reflete no seu desemepnho em pista. Ainda mais sendo Felipe um piloto com menos talento natural do que outros concorrentes -o que não é nenhum demérito para ninguém, apenas uma constatação da realidade- e que sofre quando não tem absoluta confiança em seu carro. Agora, Felipe pode nunca ser campeão mundial de Fórmula 1 -aliás, é mais provável que não seja campeão do que o contrário. Não é um grande demérito, a não ser para os frustrados que tem no complexo de vira-lata um modo de vida. Ninguém é ‘obrigado’ a ser campeão mundial.

Agora, toda esta decepção com a temporada de Felipe não tem nada a ver com o acontecido (ou, usando um termo chulo, o ** nada tem a ver com as calças neste caso). Primeiro porque é consenso que o erro que gerou o acidente entre os dois, claramente, é de Lewis Hamilton e não de Felipe Massa. Tanto é consenso sobre o assunto que Hamilton acabou punido com um drive-through durante a própria corrida e poucos se opuseram à punição do piloto da Mclaren.

Segundo, porque destruir uma corrida do adversário o máximo que puder não necessariamente significa dar uma de Michael Schumacher, jogando o carro sobre o adversário como em Adelaide 1995 (contra Damon Hill), Jerez 1997 (contra Jacques Villeneubve) e Cingapura 2011 (contra Sergio Perez). Pode ser simplesmente dar uma de Vitaly Petrov em Abu Dhabi 2010 (como bem lembrou o Ico num texto sobre o assunto em seu blog), quando acabou com as pretensões de título de Fernando Alonso, ou mesmo uma de Mercedes nesta temporada (tantas vezes Rosberg sobre o próprio Massa, ou de Schumacher sobre Hamilton em Monza). Neste sentido, a ‘destruição’ de uma corrida faz bastante sentido e claramente é a isso que Smedley se refere ao citar a frase. Afinal, era claro que Lewis Hamilton e a Mclaren tinham um conjunto mais eficiente do que o de Massa e a Ferrari. E, claro, fora da briga por qualquer coisa (sendo o sexto melhor conjunto da prova e não tendo escalado o pelotão na largada), a única meta que o brasileiro teria na prova era atrapalhar Hamilton e ajudar Alonso a brigar por um eventual pódio, além de, é claro, somar os seus 8 pontos referentes à 6ª posição (ou algo parecido com isso).

Agora, o que há de gente ressentida com a incapacidade de Massa virar um piloto campeão e com a incapacidade de Hamilton de lidar com os adversários e a própria carreira chama a atenção. Um acidente de corrida, que tem alguns desdobramentos que pouco ou nada tem a ver com a atual má fase de ambos vira um canal para desovar a frustração acumulada pela torcida. Tem desdobramentos impensados e até surreais.

E, por fim, também chama a atenção como a imprensa prefere criar factóides e quer criar mais confusão onde, claramente, não há… Como não tem muita coisa a escrever, nem sobre este tema e nem sobre qualquer coisa na Fórmula 1 porque o campeonato está decidido, cria roteiros conspiratórios apenas para brigar por atenção do publico e multiplicar a contagem de cliques em seus sites, vender mais jornal e coisas do gênero. Triste.

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