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06/10/2011 / Marcio Kohara

Jobs, Apple e o automobilismo

Se você não vive no mundo da Lua, não está inconsciente, em greve dos Correios de notícias ou esteve isolado numa ilha deserta sem qualquer ligação com o mundo nestas últimas 24 horas, soube que morreu Steve Jobs. Afinal, notícia ruim corre rápido -um pouco mais rápido por culpa do falecido, um dos sujeitos que fizeram a tecnologia ficar mais ao alcance de todos.

Pouco adianta eu, num blog de automobilismo, escrever sobre o cara, depois de um dia do anúncio da morte e pouco mais de dois meses do afastamento dele do comando da empresa -desde lá, os obituários foram bem desenvolvidos pelos informativos, a ponto de aparecer uma interessante coletânea das patentes atribuidas a Jobs. E, claro, nada de muito relevante sairia sobre -e os meus três leitores iriam achar que eu estou maluco, saindo do tema do blog e tal. Mas, ainda assim, vou escrever -por ser brasileiro e não desistir nunca-, principalmente porque não estou muito fora do tema -explico no final do texto.

Steve Jobs era um sujeito carismático. Capaz de mover multidões. Um exemplo do fascínio que a sua personalidade atraia é a própria apresentação do iPhone 4S, realizada um dia antes de sua morte -não por ele, obviamente. Capitaneada por Tim Cook, teve seus lances interessantes, mas faltou o carisma de Jobs para desviar a atenção da turma -aquilo que chamam de ‘Campo de Distorção da Realidade’. O tal do Siri, comando de voz para o celular, se fosse apresentado por Jobs, teria roubado a cena e teriam vários Apples fanboys falando maravilhas sobre o assunto. Cook, infelizmente, não é um sucessor perfeito para Jobs. Neste ponto, na criação de novas necessidades, Jobs ainda é imbatível e por isso as preocupações sobre o futuro da Apple se justificam -como a capa do diário de San Francisco indicou no dia do anuncio da saída de Jobs da Apple. Obvio que neste momento é muito precipitado falar sobre isso -ainda mais porque a Apple é uma das empresas mais valiosas do mundo. Mas é sempre bom olhar a frente.

O carisma de Jobs sempre serviu para atenuar as críticas que os usuários tinham sobre os seus produtos. Claro que hoje todos se deram conta que o iPhone e o iPad não rodam o Flash -e não rodarão se as coisas continuarem como são. Mas a Apple sempre foi assim, sempre teve essas idiossincrasias. Desde o tempo que ele, Jobs, chegou a conclusão que o mouse tinha que ter um botão só e o disquete tinha morrido. E, claro, só lembrando que a acentuação em seus computadores é tão complexa quanto a aplicação da fórmula de báskara. Dá pra mudar, mas o padrão segue o mesmo de antigamente.

O fato é que Jobs era um sujeito a frente do seu tempo, com o perdão do clichê. Tanto que o formato que ele idealizara na fundação da Apple, com sistemas e soluções próprios, foi o que prosperou anos depois e é o que vivemos hoje, com os ecossistemas iTunes/iPod-iPad/iOS e Macintosh/Mac OS. Claro, na atualidade, com sujeitos como o próprio Tim Cook, tido como um gênio nessa parte de criação de ecossistemas varejstas, no comando da empresa, a coisa prosperou. Mas a ideia inicial era dele. E, claro, Jobs foi o sujeito que acreditou na viabilidade de se fazer desenhos animados com computadores num momento em que os desenhos animados por computador eram tão assustadores quanto este aqui. Sim, ele comprou a Pixar em 1986, quando a empresa ainda não sabia exatamente o que fazer e Money for Nothing, do Dire Straits, cujo clipe foi feito com animação computadorizada, era um grande sucesso.

Dizem que seu gênio era complicado. Tão complicado que um dia os sócios e amigos chegaram a conclusão que era melhor viver sem a sua companhia e o defenestraram da empresa. E, pouco mais de uma década depois, com a Apple a beira do abismo, Jobs voltou e empreendeu uma retomada que incluiu, naquele primeiro momento, até mesmo acordos com a arqui-inimiga Microsoft. Mas o fato é que o primeiro acordo serviu para dar um respiro para a combalida Apple. E que depois serviu para o lançamento de um tocador todo bugado, grande, com peças estranhas e um disco móvel bizarro como forma de interação com o bicho. Seu nome? iPod, que depois virou um blockbuster. E o resto é história. A extinção de um modelo de negócios que rendia muito dinheiro e poder para a indústria fonográfica começou com a posição dúbia da Apple de incentivar sem incentivar a pirataria. Hoje todos acham legal ter uma peça da empresa de Jobs -e, não é pra menos, hoje a empresa de Cupertino é uma das empresas mais valiosas do mundo. E dá pra ter um. Não no seu bolso, mas no seu pulso, como um relógio -e outro, do tamanho de um cotonete, chegou a ser vendido, mas foi considerado muito pequeno pelo mercado…

Muito bem. Mas estou escrevendo tudo isso para lembrar que a Pixar é a produtora de Carros e Carros 2, e que a Pixar é um reduto de fãs de automobilismo? Não é exatamente isso, afinal consta que o fã de automobilismo da Pixar é John Lesseter -diretor da série Carros e o homem que tem tocado a Pixar nestes anos- e não exatamente Jobs. Mas, sim, Jobs tinha a sua ligação com o mundo dos carros, tanto que era conhecido por circular na California com um Mercedes SL55 AMG com uma placa em código de barras e por desejar que os Mac tivessem designs marcantes, como um Porsche.

Sobre a Apple, tem duas curiosidades rápidas sobre a relação da empresa com o automobilismo. A primeira é até prosaica. Fritz d’Orey, que chegou a competir na Fórmula 1 em 1959 com uma Maserati, é um conhecido fanático pelos computadores da Apple. Inclusive é considerado o primeiro proprietário de um computador Macintosh da cidade do Rio de Janeiro. E a segunda, pouco explorada apesar da imagem ser famosa, é que Bobby Rahal correu as 24 Horas de Le Mans em 1980 com um Porsche 935 turbo K3 da equipe Dick Barbour, patrocinada pela Apple como o da foto (mas o número de inscrição original era o 71). Rahal correu com Bob Garretson e Allan Moffat, mas abandonaram na 11ª hora de competição com um pistão derretido. Já no ano seguinte, Rahal teve a sua revanche e venceu as 24 Horas de Daytona junto com Garretson. Mas aí não era o icônico Porsche Apple.

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