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29/01/2012 / Marcio Kohara

‘Não sou um anjo’ – Tom Boyer

‘Não sou um anjo – Revelações inéditas de Bernie Ecclestone sobre a sua atuação nos bastidores na Fórmula 1’ não se apresenta como uma biografia do mandatário da Formula 1. Mas acaba funcionando como tal. Na falta de biografias críticas ao baixinho octogenário inglês, a leitura do livro do historiador inglês Tom Boyer é como uma flor de cactus no meio do deserto…

Uma das frases que chamam a atenção no começo do livro é a que teria sido dita pelo próprio manda-chuva da Fórmula 1 a Boyer ainda no primeiro encontro de ambos. ‘Tom, não sou um anjo’, falando sobre a sua vida e obra -frase que batiza o livro. E, depois disso, sempre que instado por eventuais entrevistados sobre o que dizer a Boyer, a resposta de Bernie sempre teria sido a mesma: ‘[diga] a verdade. Não e preocupe comigo’.

Esta postura mostra uma faceta que tem feito do baixinho inglês um verdadeiro fenômeno do esporte. Um sujeito sem medo dos oponentes ou interlocutores, que aposta -e normalmente ganha.O livro mostra a trajetória de um sujeito que saiu de umia situação ce pobreza até ser um dos homens mais ricos da Inglaterra. Não é, tecnicamente, uma biografia por não conseguir penetrar mais a fundo na vida pessoal de tio Bernie, mas tem histórias interessantes sobre a trajetória do vendedor de motos fanático por corridas que acaba se tornando o dono do circo da principal categoria do automobilismo mundial, fazendo-na uma verdadeira de fazer dinheiro. E, lendo o livro, dá até para entender algumas atitudes do almofadinha que transformou a Formula 1 numa competição de garotos mimados e que terminam as corridas com os carros sem arranhões.

Por outro lado, vendo a compilação de histórias costurada por Tom Boyer, se percebe que o foco e as prioridades de Bernie vão se moldando confirme o tempo passa. E, no final, a ideia de que tio Bernie ama as corridas acaba se dissipando – e, sim, todos sabemos quais são as prioridades dele. Talvez o detalhe que dê a noção do que Tio Bernie realmente gosta é o livro não ter muito mais do que um parágrafo sobre Gilles Villeneuve, uns três parágrafos sobre Ayrton Senna, não muito mais do que duas páginas sobre Nelson Piquet (somando pai e filho), e ter algo em torno de dois capítulos sobre uma figura desprezível como Flávio Briatore.

Claro, há a confirmação de algumas teorias curiosas e largamente difundidas sobre a vida particular do tio Bernie, como, por exemplo, quem mandava no casamento de Ecclestone e Slavica. Mas, no geral, fica a sensação que havia a possibilidade de aprofundar assuntos mais interessantes do que os que foram aprofundados -enquanto outros temas que poderiam ser mais explorados ficaram deixados de lado.

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One Comment

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  1. Ron Groo / jan 29 2012 3:54 pm

    como já havíamos conversado, o livro mudou um pouco o conceito que eu tinha do velhinho da fuzarca.
    Pela falta de informação o achava apenas um crápula… Agora não! Além de crápula o acho também extremamente inteligente.
    E na boa? Ele não enganou nenhum ingênuo na sua escalada para o topo da F1 como negócio, enganou um monte de gente que é – quase – igual a ele, mas sem o talento para dividir e conquistar.

    Se fizessem um livro com a história dos donos de equipe da F1 que Bernie supostamente enganou pra enriquecer o título poderia ser: “Ninguém aqui é anjo” e ter na capa uma bela foto do Ron Dennis, que tudo que quis na vida era ser Ecclestone, o dono de equipe que passou a mandar na brincadeira toda.

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